Covid-19 e a destruição da Amazônia
O desmatamento na Amazônia aumentou em 51% no mês de março, apontam pesquisas e monitoramentos. Os dados demonstram também que em meio a crise produzida pelo novo coronavirus no Brasil o foco das ações governamentais está na saúde e na economia enquanto a derrubada de árvores da floresta e o fogo tomam conta de amplas áreas da Região Amazônica.
O uso de declarações de parlamentares e de empresários a eles vinculados de afirmações feitas pelo presidente da República como uma espécie de arma para a invasão, destruição de áreas e agressões e mortes de moradores está bem articulado com a proposta de expansão dos projetos de exploração dos recursos naturais da Amazônia. Os invasores se sentem apoiados a seguir nessa ação, inclusive, filmando seus atos criminosos como se patriotas fossem.
As ações de desmatamento na Amazônia ocorrem em paralelo a pandemia e ampliam as ameaças à integridade das comunidades indígenas e de pequenos agricultores que vivem nas áreas atacadas. Hoje não apenas o número de assassinato de indígenas aumentou no Brasil como a ocorrência de queimadas, derrubada de árvores para o comercio ilegal de madeiras estão acontecendo, também a progressiva expulsão dos moradores.
Mesmo que a estrutura do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) esteja sendo desmontada e suas ações direcionadas para outro foco, a prevenção deve continuar ativa. É importante que as representações de instâncias que têm suas atuações na defesa do meio ambiente e dos povos indígenas e tradicionais atuem firmemente para fazer valer a Constituição. Há uma ideia circulando e sendo propagada em diferentes espaços que a Constituição brasileira pode ser ignorada.
O que está acontecendo na Amazônia mais profunda é um exemplo da execução dessa ideia de desprezar a lei, os princípios constitucionais, como se não mais houvesse um Estado Democrático de Direito. Pela força e pela violência generalizada a floresta está sendo destruída a passos largos e as comunidades que nela e dela vivem também estão. O comportamento governamental beneficia a ação dos criminosos que cada vez mais se organizam em grupos de poder e bancam as invasões, o fogo e a morte para se tornarem, na marra, os donos da terra.