CPI: dinheiro desperdiçado
O parlamento brasileiro vive; certamente o seu pior momento; com mais de 200 congressistas enfrentando acusações no âmbito da operação Lava Jato. No entanto; muitos grupos de deputados federais fazem questão de piorar essa imagem. Nesta quarta-feira (17), tivemos um exemplo disso com a votação do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito da Funai; que supostamente se debruçou sobre conflitos agrários envolvendo indígenas e irregularidades na demarcação de Terras Indígenas no País.
Foram meses e mais meses de uma investigação ridícula e que consumiu recursos públicos que melhor uso poderiam ter se aplicados em outras atividades parlamentares.Para se ter uma ideia do samba do criolo doido que foi a confecção do relatório; aprovado por maioria na comissão; foi pedido o indiciamento de nove antropólogos que trabalharam em demarcações de terras nos últimos anos; sendo que um deles está morto.
Isso mesmo, o Parlamento brasileiro pediu o indiciamento e posteriormente a transformação em réu uma pessoa morta! Um acinte com o contribuinte que paga essa brincadeira. Em outro absurdo do texto; o relator Nilson Leão (PSDB) pede o indiciamento de um Bispo da igreja católica e o chama de vulgo, como se o religioso fosse um criminoso frequentador de páginas policiais.
Em que pese a maioria dos membros da CPI integrar a bancada ruralista; que vive em choque com os indígenas e seus apoiadores, o trabalho poderia ser feito de maneira equilibrada e prestando um bom serviço ao País e, principalmente, a pacificação do campo. Do relatório, que tem mais efeito midiático, pois quem pode fazer o indiciamento é o Ministério Público Federal, nada pode ser aproveitado para a pacificação posto que optou -se por acirrar o conflito. Não vamos sair bem na foto quando organismos internacionais tomarem conhecimento do disparate parlamentar.
Neste sentido e levando -se em conta a necessidade real de diminuir os conflitos no campo; sobretudo os que envolvem as populações indígenas, tradicionalmente mau tratadas pelo Estado Nacional, roga-se que o MPF faça uma boa revisão deste relatório e dê um encaminhamento equilibrado para a questão.