CPI dos Combustíveis precisa ser técnica e produtiva
Antes tarde do que nunca, a mesa diretora da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE–AM) decidiu instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o inexplicável aumento simultâneo realizado frequentemente pelos postos de combustíveis no preço da gasolina em Manaus.
O que se espera agora dos parlamentares é uma atuação pautada pela técnica e pela seriedade. Não é hora para os arroubos típicos da postura politiqueira ainda muito comum no Parlamento Estadual e também no Municipal. Cabe a cada membro da comissão recém-criada cercar-se do amparo técnico necessário para que os trabalhos da comissão sejam realmente produtivos.
O Procon Manaus e o Procon Amazonas têm atuado para conter a prática de preços abusivos nas bombas. Só a entidade municipal já autuou mais de 50 postos em Manaus para que expliquem os motivos de comercializarem o litro da gasolina por valores superiores a R$ 4,00. É evidente que não há livre concorrência entre os varejistas de combustíveis da cidade. A mudança simultânea para o mesmo preço é tão escancarada que o condutor atento consegue até mesmo identificar os postos que estão fora do suposto cartel. São os estabelecimentos que praticam preços dissonantes dos demais, sempre mais baratos.
A população anseia por uma resposta concreta. Os parlamentares não podem desonrar a confiança neles depositada nas últimas eleições, desperdiçando essa oportunidade de esclarecer esse grande problema que parece não ter solução. Não é de hoje que paira sobre os postos a suspeita de cartelização. Os empresários do setor precisam se explicar, abrir suas registros contábeis e demonstrar suas razões. Eles estão, inclusive, representados entre os membros da CPI, o que, de certa forma, deve equilibrar o debate.
O fato é que esta CPI que ora se instala não pode ter o mesmo desfecho de iniciativas anteriores com o mesmo escopo. Em legislaturas passadas, tanto na Câmara como na Assembleia, CPIs que investigaram os preços dos combustíveis chegaram ao fim sem nada conclusivo, a questão do cartel ficou sem resposta, ninguém foi responsabilizado por nada e a misteriosa movimentação de preços nos postos continua até hoje como sempre foi. Agora, já basta.