Criança não é de rua
A situação das crianças brasileiras é difícil quando colocada a questão econômica e por meio dela a seletividade de quem pode ter acesso à escola, qual a escola, acesso à saúde e que tipo de atenção à saúde, ao lazer à proteção. A maioria dos brasileirinhos não é alcançada por esse sistema que embora assegurado constitucionalmente está a cada dia precarizado. Quando olhado por região, o quadro é ainda mais preocupante porque aparecem os indicadores de desenvolvimento nos Estados que estão em derrocada.
No Amazonas, as condições de vida das crianças preocupam, pois, as bases de apoio estão esfaceladas e as ações que ocorriam de forma mais conjuntas passam por fragmentação e descontinuidade. O que se vê nas ruas de Manaus, com número cada vez maior de crianças morando, desenvolvendo atividades em busca de dinheiro, é um retrato da realidade maior das crianças no Amazonas.
O problema das crianças agrava-se com os efeitos das crises em vários países que produzem a expulsão de milhares de famílias e criam a cenas mais violentas de crianças abandonadas em mares, nas fronteiras, nas ruas e praças de cidades. Crianças separadas dos pais, crianças submetidas à fome, à exposição, ao sol e ao frio. Crianças que deveriam receber de cada lugar o abrigo e a proteção para terem o direito de viver com dignidade, ao contrário, têm a dignidade usurpada.
É nesse contexto que a Campanha Nacional de enfrentamento à situação de moradia nas ruas de crianças e adolescentes ganha relevância. A IX edição da campanha ‘Criança Não É de rua’, ocorre em 22 cidades que no dia 23 de julho fizeram manifestações articuladas pra chamar atenção a esse drama. O primeiro levantamento realizado pela organização ‘criança não é de rua’ identificou 24 mil crianças vivendo nas ruas do Brasil. É para essa população que o movimento, criado em 2005, quer chamar atenção governamental, dos setores produtivos e dos governos para que percebam a existência dela e tomem providências reais quanto á garantia de vida e dos direitos das crianças e dos adolescentes. Este ano completou 22 anos do assassinato de oito adolescentes que dormiam na porta da Igreja da Candelária no centro do Rio de Janeiro.