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A Crítica
Opinião

Crianças e a Deficiência

Como plantar sementes para um futuro mais inclusivo?

Publicado em 14/10/2021 às 18h52 · Atualizado em 24/03/2022 às 22h48
Crianças e a Deficiência

Por Nancy Segadilha, Advogada e PcD

Nesta semana celebramos o dia das crianças, os maiores símbolos de esperança em um futuro melhor merecem muito mais que uma data, mas respeito, dignidade e amor. Sempre acreditei que através da educação podemos transformar o mundo e um ambiente inclusivo desde pequeno traz inúmeros benefícios para as crianças e para toda a sociedade.

As crianças desde muito novas percebem as diferenças entre as pessoas e fazem perguntas sobre o que veem. Cabe aos pais mostrarem-se abertos ao diálogo e esclarecer as dúvidas dos filhos. No geral, crianças com deficiência tendem a ser rotuladas e vistas apenas pelos seus impedimentos. Para mudar essa visão, os pais devem mostrar aos filhos o valor da diversidade humana e incentivar que convivam com crianças diversas.

As crianças desde muito novas percebem as diferenças entre as pessoas – em relação ao gênero, cor da pele, forma de falar, não enxergar ou usar cadeira de rodas, por exemplo – e fazem perguntas sobre isso, explicam as educadoras Kátia Cibas e Lailla Micas, em artigo publicado na Canguru News. “Esse tipo de curiosidade é natural e cabe aos adultos dar aos pequenos respostas respeitosas que valorizem a diversidade humana e incentivem o convívio entre todos”, afirmam as educadoras, que são integrantes do Instituto Rodrigo Mendes, ONG que atua a favor de uma educação de qualidade para pessoas com deficiência.

Promover esse diálogo com os filhos, no entanto, nem sempre é fácil. Muitas vezes, anulamos ou nos retiramos do assunto por medo de abordar algo desconhecido para nós mesmos. É natural que assuntos que não conhecemos nos tragam desconforto, portanto, é nossa responsabilidade reconhecer o nosso ‘não-saber’ e pesquisar sobre ele.

O papel da família

É preciso ter diálogo aberto e acolhedor para que os filhos falem sobre suas dúvidas. As respostas, devem ser dadas em linguagem adequada à idade, para que os pequenos compreendam o que foi dito, lembrando que é responsabilidade dos pais ampliar o repertório da criança.  É preciso ser o mais franco possível com os filhos: caso não saiba sobre um assunto ou informação, é interessante convidar a criança a pesquisar junto com você. A informação é o que temos de melhor em relação à inclusão e à deficiência. Com a informação prevenimos o preconceito.

Na escola, é possível que a criança tenha contato com amigos que apresentem alguma deficiência, contribuindo assim para que se familiarize com o assunto. Por lei, o ambiente escolar precisa oferecer as condições adequadas de inclusão, que vão desde aspectos relacionados ao espaço físico à frequência nas aulas regulares com todos os alunos.

Dicas para conversar sobre deficiência e inclusão com os pequenos

Uma das principais preocupações na hora de conversar sobre deficiência e inclusão com as crianças são as formas de falar sobre o assunto com elas. A Diversa, https://diversa.org.br/ , uma plataforma que compartilha experiências de educação inclusiva, ressalta a importância de não se referir a pessoas com deficiência com tom ou palavras que tenham denotação de inferioridade.

“Coitada”, “doentinho”, “downzinho” são alguns exemplos apontados que não devem ser utilizados. Segundo a plataforma, “desconstruir a ideia de que a criança com deficiência é vítima ou uma pessoa especial é o primeiro passo para educar para a diversidade”.

Abaixo veja outras dicas dadas pelas especialistas para abordar o tema da deficiência com as crianças:

Incentive a convivência com pessoas com deficiência. É importante permitir, desde cedo, que todas as crianças tenham contato entre si, brinquem e frequentem ambientes diversos. Isso é benéfico para todas as crianças; Trate a pessoa com deficiência sem rótulos. Mostre para as crianças que, tal como qualquer cidadã ou cidadão, a pessoa com deficiência tem direito de estar nos lugares, participar das brincadeiras e realizar o que quiser, com a diferença de que, dependendo do tipo de atividade ou tarefa a ser realizada, pode precisar de apoio; Observem suas habilidades. Peça para a criança destacar quais são as habilidades que o amigo ou a amiga com deficiência possui, fazendo assim com que sejam percebidos outros aspectos para além das dificuldades que ele ou ela apresenta. Lembrar que ali antes de tudo está uma pessoa; Permita uma conversa franca sobre o assunto. Quando as crianças se sentem seguras para tirar suas dúvidas, explicar sobre diversidade e inclusão se torna algo mais fácil: Ouça atentamente as dúvidas das crianças. Deixe que falem sem interrupções para entender a linha de raciocínio para só então fazer mais perguntas ou determinada afirmação; Pesquisem juntos. Se a criança apresentar uma curiosidade específica sobre alguns dos assuntos, pesquisem juntos sobre o tema. Ela lhe ver aprendendo é um ótimo incentivo; Cuide do seu próprio discurso. As falas dos adultos são vistas quase que como verdades absolutas e, por esse motivo, reproduzidas. Evite, portanto, chavões, não se prenda a respostas genéricas ou pré-conceitos estabelecidos; Leia livros. Muitos livros de histórias trazem narrativas sobre diferenças, não apenas de inclusão, mas de diversidade social, cultural e de gênero que podem ser lidos e comentados junto com os adultos; Aproveite os assuntos do momento. Paraolimpíadas, personagens de desenhos, notícias e outros assuntos do momento podem ser aproveitados para falar sobre deficiência com as crianças. A representatividade no entretimento é importante também por isso: e, Amplie o repertório. É interessante escolher animações, filmes ou livros que incentivem a discussão e despertem uma nova forma de encarar a diversidade.

Juntos podem transformar o mundo um passo de cada vez, através do ensino e do exemplo.

Inclusão Dever de Todos!