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A Crítica
Opinião

Crise climática se agrava na Amazônia

O período de seca está aumentando, em média, 12 dias a cada dez anos

Publicado em 05/09/2025 às 09h34
Crise climática se agrava na Amazônia
Foto: Agência Brasil

O aumento de apenas dois graus na temperatura média da floresta Amazônica entre 1985 e 2020 pode parecer algo insignificante, sobretudo para os que se recusam a levar as mudanças climáticas a sério. Ocorre que cada grau a mais nesse bioma intensifica a mortalidade de árvores, aumenta a frequência e a severidade de secas e incêndios, prejudica o ciclo hidrológico com a redução da chuva, eleva o risco de savanização da floresta, diminui o estoque de carbono e impacta a biodiversidade e o funcionamento da floresta como um todo, podendo levar a mudanças irreversíveis.

É o que aponta estudo da Fundação Oswaldo Cruz, no âmbito do projeto “Vulnerabilidades à Mudança do Clima”, de 2016. Os dados foram confirmados em artigo recente assinado por cientistas da Universidade de São Paulo (USP), que revisou 35 anos de dados de desmatamentos na região.

O estudo revelou alguns dados estatísticos preocupantes, como o fato de que o período de seca está aumentando, em média, 12 dias a cada dez anos. Os estudiosos são unânimes em afirmar que não há margem segura para exploração econômica do bioma que envolva supressão da cobertura vegetal.

Isso nos leva a um dilema: devemos, então, abrir mão das riquezas e potenciais da região, condenando a população amazônida à pobreza eterna? De modo algum! Já está suficientemente demonstrado que a exploração sustentável de recursos florestais é perfeitamente possível, se realizada de maneira responsável, com consciência ambiental e planejamento estruturado.

Ocorre que, no Brasil, a implementação desse tipo de aproveitamento econômico constitui-se um desafio ainda maior tendo em vista a necessidade de uma evolução ampla em diversas frentes: a legislação ambiental teria que ser ajustada para este fim; as instituições responsáveis por coibir e combater abusos – como Ibama e ICMbio – teriam que ser muito fortalecidas; governo federal, estados e prefeituras teriam que colaborar mutuamente como nunca antes; governos estrangeiros também deveriam contribuir em tal esforço…

Enfim, o nível de arranjos e aprimoramentos seria dos mais desafiadores, mas ainda assim, alcançável. O agravamento dos efeitos climáticos na Amazônia torna inadiável o debate sobre esse novo direcionamento.