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A Crítica
Opinião

Crise impacta apoiadores de pessoas sem alimentos

Chamar atenção para esse fato é também expor o agravamento da precarização da vida em Manaus

Publicado em 26/07/2022 às 09h23
Crise impacta apoiadores de pessoas sem alimentos
Foto: Reprodução

A quantidade de pedidos de ajuda, feitos em grupos de WhatsApp, para comprar alimentos e remédios triplicou. Pessoas que nos últimos tempos têm se mobilizado para assegurar algum tipo de apoio em dinheiro, alimento ou na compra de medicamentos relatam também enfrentar dificuldades para atender a demanda. 

O repasse de cinco, dez ou vinte reais na corrente humanitária representa aos que doam, diante desse crescimento de pedidos, representa a possibilidade de dispor de R$ 100 a R$ 150 em uma semana. Muitas dessas pessoas já não conseguem assegurar os repasses aos mais necessitados diante das necessidades que elas passam a ter. O reajuste contínuo dos preços impacta a renda familiar e se reflete negativamente na ação de solidariedade aos que se encontram em situação de fome em Manaus.

A constatação da dificuldade de manter a ajuda gera aos doadores angústia e tristeza e poderá produzir adoecimentos a essas pessoas que anonimamente se articulam em nome de ações que representassem a redução da fome. O drama de mulheres, crianças, homens, idosos sem ter o que comer ou dispondo de apenas uma refeição diária é fato visível nas ruas da capital amazonense e em muitas moradias em áreas economicamente periferizadas.

Chamar atenção para esse fato é também expor o agravamento da precarização da vida em Manaus. Os famintos precisam de comida e os que não podem adquirir medicamentos de uso diário recorrem à caridade para consegui-los. Agora, são os que estavam em mobilizações de apoio os que não estão conseguindo manter a assistência. Relatos de apoiadores expõem que em suas redes sociais recebem em média cinco pedidos semanais e costuram replicar entre amigos a fim de obter algum valor e entregar aos necessitados em forma de comida ou remédio. Mas, a resposta agora é de que “nesse momento, não tenho mais como ajudar. Estou sem dinheiro” ou indicam dificuldades na quitação de suas próprias contas básicas diante da perda gradativa do valor de seus salários.

Manaus, como é mostrado diariamente em outras cidades brasileiras, vive o agravamento da pobreza e com ele a fome está cada vez mais próxima do dia a dia de milhares de pessoas. Outras tantas estão famintas e os que se cotizavam para socorrer sentem o aperto da crise.