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A Crítica
Opinião

Crises em série

O País precisa, mais do que nunca, reduzir a dependência de hidrelétricas, inclusive, revendo os planos atuais para construção de estruturas desse tipo, sob pena de investir bilhões e não obter os resultados esperados

Publicado em 06/09/2024 às 09h14
Crises em série
Foto: Agência Brasil

Diante da maior seca da história, com hidrelétricas reduzindo a produção energética por falta de água nos reservatórios, Pantanal em perigo, rios muito secos e excesso de incêndios, o País se vê diante de desafios em série. A crise climática já está se transformando em crise hídrica e energética, com reflexos imediatos no bolso e na saúde dos brasileiros. Com a falta de chuvas e hidrelétricas operando com carga reduzida, a bandeira vermelha na conta de luz já foi acionada em setembro, encarecendo a conta de energia e, por tabela, toda a produção industrial. 

Se encararmos o fato de que os eventos climáticos extremos vieram para ficar e que a seca exacerbada é o novo normal, então precisamos com urgência repensar toda a estratégia nacional para geração e distribuição de energia. O problema é que precisamos de soluções para ontem, já que o País ignorou solenemente todos os indícios de que a crise estava a caminho; qualquer alternativa que for pensada precisará de alguns anos para ser implementada e mais alguns para, de fato, surtir efeito. 

Uma das soluções mais óbvias é a energia solar, principalmente na Amazônia, onde a incidência de luz solar é abundante o ano todo. Porém, mesmo com todos os avanços obtidos nos últimos anos, essa modalidade corresponde a pouco mais de 11% da matriz energética do País. Um dos caminhos que o poder público pode tomar é estimular esse tipo de geração energética por meio de incentivos fiscais e outras formas de fomento. Até a energia eólica, obtida a partir da força dos ventos, tem desempenho melhor que a solar, correspondendo a mais de 14% da matriz.

O País precisa, mais do que nunca, reduzir a dependência de hidrelétricas, inclusive, revendo os planos atuais para construção de estruturas desse tipo, sob pena de investir bilhões e não obter os resultados esperados. O melhor seria que tal estratégia de fortalecimento das fontes alternativas ocorresse de maneira articulada em todo o mundo. Mas aí está uma verdadeira utopia. 

O fato é que algo precisa ser feito. O tempo de inação já foi longe demais. Quanto mais demorarmos para agir, maior será o preço a ser pago no futuro.