De olho na história
O progresso da humanidade depende fundamentalmente da capacidade de aprender com a história, do contrário, o que ocorre é o retrocesso. Quando avanços científicos são ignorados em nome do fundamentalismo religioso, o resultado é a proliferação de conceitos absurdos como a teoria da terra plana. Da mesma forma, a história não pode jamais ser “entortada” para se ajustar a convicções de ocasião. Se a tragédia das duas grandes guerras nunca for esquecida, dificilmente teremos que passar por um terceiro conflito. Da mesma forma, a ascensão do nazismo é uma mancha indelével na história humana, resultando no assassinato em massa de aproximadamente seis milhões de judeus no maior genocídio do século passado. O Estado patrocinou o extermínio étnico de dois terços dos judeus que residiam na Europa.
Grandes absurdos como ditaduras, genocídios e guerras são temas que devem ser largamente estudados e documentados para jamais serem esquecidos ou banalizados. Não podem ser motivo de “brincadeiras”, ainda que não intencionais. Recentemente, o governo brasileiro não teve outra alternativa senão demitir o secretário Especial de Cultura, Roberto Alvim, depois que ele parafraseou uma fala do ex-ministro da propaganda da Alemanha Nazista, Joseph Goebbels. A reação das instituições foi imediata, Câmara dos Deputados, Senado Federal, Supremo Tribunal Federal e entidades da sociedade civil se manifestaram contra a fala de Alvim e exigindo seu afastamento do cargo.
Foi uma lição para o governo, que tem feito escolhas muito questionáveis para posições-chave, como educação e cultura, baseando-se em critérios principalmente ideológicos. O resultado são bombas-relógio. A de Alvim acaba de explodir. Desde que assumiu o cargo, o dramaturgo se envolveu em uma série de polêmicas totalmente desnecessárias. A primeira delas foi chamar a atriz Fernanda Montenegro de “sórdida” e “mentirosa” no afã de defender seus posicionamentos políticos. Ao repetir o discurso de Goebbels, Alvim ultrapassou todos os limites do razoável.
Um sinal de alerta para toda a sociedade. A divergência política é salutar e faz parte da democracia. As interpretações a respeito da história são diversas e não podem ser desconsideradas. Mas monstruosidades sempre serão monstruosidades e não podem jamais ser toleradas.