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A Crítica
Opinião

Debate indispensável sobre transporte

Publicado em 25/03/2019 às 12h19 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h34
Debate indispensável sobre transporte

As audiências públicas agendadas para discutir a regulamentação dos serviços de transporte por intermédio de aplicativos são indispensáveis, uma vez que se trata de um tema que afeta a vida de muita gente: taxistas, mototaxistas, motoristas das plataformas digitais e, principalmente, os usuários de cada uma dessas modalidades de transporte. É preciso debater, colocar na mesa de discussão os prós e contras envolvidos e construir uma regulamentação justa.

Um fato não pode ser ignorado: com o avanço inevitável da tecnologia, é natural que os serviços se transformem. Toda a vida em sociedade passa por adaptações em face da modernidade. A reação inicial dos taxistas, em repelir de forma violenta os condutores a serviço de aplicativos, foi descabida. A categoria já parece ter aceitado a nova realidade.

O táxi é uma invenção do final do século XIX – se consideramos como marco o surgimento do taxímetro, porque o aluguel de veículos por corrida para transporte particular existe desde a antiguidade – e estão presentes em todas as grandes cidades do mundo, sendo até mesmo marca registrada de metrópoles como Londres e Nova Iorque. Parecia improvável que a hegemonia dos táxis pudesse ser ameaçada, mas nem uma tradição tão arraigada conseguiu permanecer imune aos ventos da modernidade.

Em poucos anos, o transporte mediado por aplicativos, que tem o Uber como sua expressão de maior relevo, conquistou  enorme espaço. É  incontestável a grande adesão dos brasileiros aos  aplicativos de transporte como Uber, Cabify, 99 e outros. Pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) constatou que mais da metade dos brasileiros (65%) prefere utilizar os apps em vez do serviço de táxi. A principal razão apontada por esse público para tal escolha é o preço.

Será o fim do serviço de taxi? Provavelmente, não. Mas o serviço terá que passar por ajustes, lançando mão de ferramentas digitais para agregar comodidade e ajustar-se aos novos tempos. Outro efeito inevitável está no preço; o serviço terá que ser barateado para fazer frente ao baixo custo oferecido pelos aplicativos. Provavelmente, não deve ficar tão barato quanto os concorrentes, mas estará em um patamar inferior ao que se vê atualmente. O serviço de taxi, que sobrevive há mais de um século, terá que se reinventar se quiser sobreviver.