Declaração Universal dos Direitos Humanos precisa ser reconhecida
Documento completa 75 anos em um mundo imerso em guerras como a da Ucrânia e da Faixa de Gaza
A Declaração Universal dos Direitos Humanos chega aos 75 anos, completados neste domingo (10), em um mundo marcado por guerras e tipos contemporâneos de genocídio acompanhados pelas telas grandes e pequenas da mídia e de outras plataformas de informação e comunicação.
A primeira sensação é a de fracasso dos governos desse mundo, notadamente dos que detêm a maior fatia do poder, como as instituídas potências econômicas, políticas e bélicas, para as quais o fomento de guerras se coloca como uma das bases à manutenção do atual panorama com tendência de agravamento.
O documento de 1948, um ensaio para enfrentar as sequelas trágicas da segunda guerra mundial numa perspectiva de fazer valer princípios humanistas, permanece necessário desde que seja lido, compreendido, difundido e, com ele em punho, produtor de questionamentos aos gerentes da sociedade global em um momento que revele força para garantir respostas.
Em duas das atuais guerras (Rússia/Ucrânia; Israel/Hamas/Palestina), dados divulgados pela mídia estimam em mais de 240 mil mortos no primeiro caso, e de 12.400 no segundo. Mesmo que haja dificuldade na verificação exata desses números de vítimas fatais, o acompanhamento diário que qualquer um pode fazer, é possível perceber a quantidade de corpos humanos, como uma espécie de pandemia, nesse caso da guerra. Os jornalistas mortos somente este ano somam 94 profissionais, contra 67 no ano de 2022 e 47 em 2021, dados da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ).
Os comunitários que vivem nas áreas de maior intensidade dos bombardeios e aqueles que são forçados ao deslocamento apresentam a outra face do drama humano diante dos pactos de governos para manter as guerras e silenciar sobre os crimes que estão sendo cometidos. As agências criadas no pós-guerra mundial para monitorarem e tomarem decisões capazes de assegurar o diálogo, promover entendimentos e fazer parar os processos de assassinatos, estão enfraquecidas e vêm sendo desqualificadas pelos próprios governos ao ignorarem completamente a Declaração Universal dos Direitos Humanos e outras convenções elaboradas e assinadas por esses governos.
Promover o mais amplo possível a Declaração Universal dos Direitos Humanos, coloca-la em evidência em todas as áreas do conhecimento e no cotidiano das escolas, das instituições e da sociedade é urgente. Cada vez que princípios da humanidade humanizada são abandonados mais a truculência, a brutalidade e a banalização da vida ganham espaço e se impõem. A maioria dos humanos perde e sofre.