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A Crítica
Opinião

Desafios no setor de transporte

O País precisa lidar com nosso principal modal de transporte: o rodoviário

Publicado em 04/01/2023 às 10h31
Desafios no setor de transporte
Foto: Agência Brasil

Atualmente, a malha ferroviária brasileira conta com pouco mais de 31 mil quilômetros, praticamente a mesma estrutura de um século atrás. Em 100 anos, o País praticamente não investiu no modal ferroviário, abrindo mão de um meio de transporte barato, menos poluente, e mais seguro. Trata-se de uma opção valiosa quando consideramos as dimensões continentais do Brasil.

Não se pode afirmar que um modal seja melhor que outro, uma vez que cada um apresenta vantagens e desvantagens de acordo com a carga transportada e as distâncias em questão. Mas é certo que as ferrovias são ideais para o transporte de grandes cargas com destino fixo de longa distância, como as commodities da nossa produção agrícola. Não é razoável que um país do tamanho do Brasil não tenha as ferrovias entre os principais modais. 
Nesse contexto, o novo ministro da infraestrutura, Renan Filho, ressalta o óbvio ao enfatizar a necessidade de expandir a malha ferroviária para dar sustentação ao crescimento da produção agrícola. É preciso sair da esfera do discurso e partir para a prática.

O incremento da malha depende de pesados investimentos que devem integrar um projeto de longo prazo, que certamente não seria concluído neste governo. Daí a necessidade se desenvolver um programa de estado, imune às trocas de governo, com a continuidade assegurada. Para isso, o País já conta com o marco legal do transporte ferroviário, que facilita investimentos privados na construção de ferrovias, como já ocorre na exploração de infraestrutura de telecomunicações, energia elétrica e portos. É claro que a legislação precisa de ajustes para atrair investidores e destravar o setor, sendo este um dos desafios do novo governo.

Cabe ressaltar, porém, que o País precisa lidar com nosso principal modal de transporte: o rodoviário. Pelo menos inicialmente, a ampliação das ferrovias seria um projeto secundário, já que o País conta com uma malha rodoviária que demanda investimentos mais urgentes. Estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) revela que 66% da malha rodoviária brasileira encontra-se em condições péssimas, ruins ou com alguma deficiência estrutural. O projeto estratégico, não só para as ferrovias e rodovias, mas para toda a infraestrutura de transporte do País deve ser apresentado em 15 dias.