Desenvolvimento ou pauperização do Amazonas
O Amazonas é um dos cinco estados brasileiros com o mais alto índice de pobreza, de acordo com pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a cidade de Manaus aparece em outros estudos entre aquelas onde a condição de moradia é a mais precarizada do País.
Quando se busca dados sobre desmatamento, o Amazonas assume os primeiros lugares entre os estados que mais devastaram a floresta. A cada período cresce a participação estadual no ranking nacional de desflorestamento, focos de fogo e comércio ilegal de madeiras. Todo o discurso construído há mais de cinco décadas de que a região desenvolvera um parque industrial moderno e sem agredir a floresta está sendo dissolvido e, pior, com essa dissolvição, os arranjos para implantar projetos sustentáveis perdem importância enquanto outra matriz desenvolvimentista ganha espaço.
É em um quadro crítico que o Amazonas e a capital entram sem que se perceba reações dos poderes para repetir por aqui o drama a que outros estados estão submetidos, como ocorre no Pará cujo território vem sendo utilizado há muito tempo como terra de exploração, saqueamento e produção de pobreza e miséria a maioria da população que ali vive. Os volumes expressivos da riqueza paraense levados embora não se traduziram até hoje em retorno à melhoria de vida da sociedade paraense.
O Pará tem liderado a cada pesquisa sobre desmatamento, incêndios criminosos, comércio ilegal de produtos da floresta além de ter sido palco de uma das mais violentas experiências com garimpo, a de Serra Pelada, no período de 1979 a 1983. Todas as vivências nessa área, os resultados altamente negativos ao governo brasileiro e ao Estado do Pará parece não terem sido levados a sério pelo governo do País que, na atualidade, adota medidas de incentivo a esse tipo de conduta.
No Amazonas, na medida em que o Polo Industrial se especializa e encolhe aumenta a investida de outros empreendimentos agressivos à floresta e que se assemelham as experiências paraenses, e de Rondônia. A chamada última fronteira verde está sendo invadida, ocupada por projetos de monocultura, como o da soja, e da extração dos bens que a Natureza aqui reuniu. Ou seja, o que está sendo desenvolvido é um plano de pauperização da sociedade amazonense e manauara em médio e longo prazo.