Manaus seg, 19 out
A Crítica
Opinião

Desenvolvimento pede compromisso

Manaus enfrenta problemas graves embora não seja uma capital pobre, o volume de recurso do orçamento municipal é de R$ 6,9 bilhões

Publicado em 25/10/2022 às 09h15
Desenvolvimento pede compromisso
Foto: Reprodução

A cidade que completa 353 anos pede mais e logo. Manaus enfrenta problemas graves embora não seja uma capital pobre, o volume de recurso do orçamento municipal é de R$ 6,9 bilhões, previsão da Lei Orçamentária. A questão é saber como esse é utilizado e no que está sendo utilizado.

A maioria da população de Manaus vive em condições de dificuldades e outra 
parcela expressiva de alguns milhares de famílias em situação de pobreza aguda. Na área de saneamento básico, a cidade tem problemas profundos acumulados. As áreas verdes na cidade são escassas e prevalece no projeto de desenvolvimento local a noção demarcadora de retirada e ou redução dos espaços das árvores para o avanço do concreto e do asfalto. 

Falta para Manaus uma outra arquitetura que a reconcilie com a 
Natureza em formulações de políticas públicas e de gestão da cidade em curto, médio e longo prazo. Para que prevaleça essa linha, os representantes do poderes executivo, legislativo e judiciário necessitam se comprometer com a cidade e seus cidadãos e a sociedade em querer ter mais participação na tomada de decisão que impacta diretamente a vida dela.

Outro aspecto é a questão da inclusão. Manaus está longe de ser uma cidade inclusiva e as obras em andamento não avançam para a inclusão ampla e irrestrita superando décadas de negação a essa necessidade e a um direito universal. Manaus não recepciona as mulheres, destinando a elas um lugar marcado pela violência de gênero, não recepciona pessoas idosas, mantendo padrão de isolamento elevado, não recepciona pessoas portadoras de dificuldades de locomoção – apenas áreas destinadas a segmentos de alto poder econômico é possível encontrar calçadas largas e bem cuidadas, rebaixamento de acesso e boa iluminação. Não recepciona os povos cujas culturas são fundantes da cidade, como as dos povos indígenas.

As feições violentas empurram milhares de habitantes da cidade para espaços distantes e precários. Nessas condições, crianças, jovens mulheres e homens são submetidos a um tipo de apartheid que está sendo reforçado e ampliado. 

Enquanto a defesa de políticas públicas cai e um tipo de “desenvolvimento” cresce, triunfam os grupos de narcotraficantes que impõem condutas à população.