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A Crítica
Opinião

Desvalorização e desperdício de espaços

Publicado em 09/02/2020 às 15h27 · Atualizado em 13/03/2022 às 21h01
Desvalorização e desperdício de espaços

As obras de recuperação do Polo Industrial de Manaus estão sendo transformadas em capítulos de uma novela deplorável. Não apenas do ponto de vista estético, mas principalmente econômico e social. O fluxo de pessoas e de veículos na região do Distrito Industrial é intenso e sustenta uma série de negócios relacionados a macro e à microeconomia cujo impacto na cidade e no Estado é importante.

Esse cenário deveria ser, sempre, bem cuidado. Ao contrário, no caso do Polo Industrial, foi transformado em cabo de guerra numa disputa nada inteligente e longa que demonstra a falta de estratégia e mesmo desprezo à inteligência que deveria ser acionada pelos gestores públicos, os legisladores em conjunto com as representações empresarial e de trabalhadores para garantir à área recuperação, modernização e um plano permanente de manutenção.

O quadro de abandono do DI é antigo e traduz a postura do conjunto dos poderes no trato dos temas de interesse da Zona Franca. É de caráter episódico, afeito a velha postura de salvadores isolados, refém do humor do governo federal e do movimento realizado em período eleitoral. No geral, no âmbito do Amazonas, a ZFM se ressente de um plano de ação que consiga reunir todas as forças estaduais e fazê-las funcionar em defesa do modelo, construir relação mais próxima com o conjunto da população e ser a expressão da importância que a ZFM tem para o Estado e a população de parte da Amazônia Ocidental.

Do jeito que está o que mais sobressai a decadência física do conjunto arquitetônico do espaço. A revitalização, trabalhada como incentivo aos negócios de incremento da economia da cidade, pode representar de fato abertura de postos de trabalho, geração de renda e um novo circuito turístico.  Para Manaus, esses arranjos seriam uma resposta e uma reação aos vários problemas que a cidade enfrenta entre os quais o desemprego, a informalidade, à violência e à falta de perspectiva que afeta milhares de pessoas.

Enquanto funcionar o pacto menor, esses e outros espaços relevantes da cidade estão sendo precarizados e empurram Manaus para baixo, mantêm os problemas econômicos-sociais em alta e ignora possibilidades e boas respostas em pequenos e médios projetos para incrementar os diversos setores envolvidos nessas ações.