Dilema amazônico
O Dia da Amazônia, comemorado hoje, é também oportunidade de reflexão sobre a situação presente e o futuro da maior floresta equatorial do mundo. Nesse debate, é importante compreender que o conceito de Amazônia não se restringe à floresta e à biodiversidade que ela integra, mas também abarca os povos que na região habitam – ribeirinhos, indígenas, quilombolas e demais moradores das cidades amazônicas, suas histórias, culturas e tradições. Um vasto universo que precisa ser compreendido e preservado. É fato que o Brasil precisa cuidar melhor da região, que sofre com uma série de carências que vão do vazio institucional à exploração descontrolada de recursos naturais, tendo como consequência a destruição da floresta.
Muito precisa ser feito, mas o desafio imediato é frear a devastação que só aumenta nos últimos anos. Uma decisão correta do governo federal foi evitar comentários do presidente sobre o assunto, e deixar a questão sob o comando do vice, Hamilton Mourão, o que tem garantido, pelo menos, alguma coerência no discurso. Mourão admite, por exemplo, que os órgãos ambientais não têm “pernas” para atuar com eficácia no combate ao desmatamento, embora não mencione o papel decisivo que o próprio governo desempenhou no enfraquecimento recente de tais instituições.
Há o compromisso por parte do vice-presidente em reduzir os índices de destruição da floresta. Para isso, ele aposta na atuação das Forças Armadas. Seguem alguns pontos que precisam ser considerados pelo governo federal caso haja o interesse genuíno em promover a preservação: realizar concurso público emergencial para contratação de fiscais para o Ibama e para o ICMbio, exonerar o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles -, que já se tornou um boneco no governo e só não sai do cargo porque o presidente vê nisso uma demonstração de fraqueza -, e firmar parcerias com a sociedade civil organizada e comunidades tradicionais.
Essas medidas indicariam, de maneira robusta, que o governo tem um novo rumo na questão ambiental, e resultariam na queda sensível do desmatamento ilegal e das queimadas. Os novos índices de preservação seriam muito mais impactantes na comunidade internacional que qualquer campanha publicitária oficial, e o 5 de setembro, Dia da Amazônia, teria um sentido ainda mais especial.