Dilemas na pandemia
Os números mostram que o avanço da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, no Brasil está aquém dos cenários mais pessimistas previstos pelos especialistas da área médica. É cedo para afirmar com certeza os fatores que levam a essa onda “menos intensa”, até porque existe a possibilidade de que os números reais estejam mascarados por subnotificações – milhares de testes ainda aguardam resultados, principalmente no Sudeste, epicentro da pandemia no País. Porém, é consenso que as medidas de restrição quanto à circulação de pessoas têm desempenhado papel central na contenção do vírus.
E isso se estende ao Amazonas, onde a capital acaba de chegar à casa dos 200 casos confirmados, um cenário que seria muito pior, segundo informa a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), caso não houvesse as medidas restritivas. Por essa razão, as escolas, shoppings centers e comércio de bens e serviços não essenciais devem permanecer fechados por mais um tempo. É claro que, para isso, são necessárias providências para resguardar os empregos e a própria viabilidade dos negócios.
Do mesmo modo, os informais e todos aqueles que dependem da circulação de pessoas nas ruas para ter seu sustento, precisam de apoio para sobreviver. Este é um desafio do Estado, que como bem ressalta a socióloga Paola Alvarez, tem a obrigação de amparar a população em uma fase como essa que estamos vivendo. É o tal “contrato social”: as pessoas pagam impostos e se submetem ao ordenamento criado pelo Estado, adquirindo o direito de ser assistido com saúde e segurança, por exemplo. O advento da pandemia vem ressaltando a urgência da atuação do Estado.
Um dos efeitos da crise, e que deve perdurar depois que ela passar, é que a saúde necessariamente terá que ser priorizada pelos governos como área essencial. O sistema público de saúde terá que ser melhorado, e muito, em todo o mundo. É uma questão de vida ou morte. De muitas vidas e muitas, muitas mortes.
Por ora, cabe ao Estado – materializado nos governos em todas as suas instâncias – mobilizar toda sua estrutura para salvar vidas e resguardar empregos. As duas ações não são excludentes, pelo contrário, são complementares. Sem pessoas saudáveis, não há economia.