Discurso dos tolos
Ao longo de seus mais de 520 anos de história, diversos foram os movimentos que intentaram separar regiões que hoje integram o território nacional.
O povo brasileiro se orgulha, de modo geral, das dimensões continentais do País, sendo o quarto maior do mundo em extensão territorial. Ao longo de seus mais de 520 anos de história, diversos foram os movimentos que intentaram separar regiões que hoje integram o território nacional. Rio Grande do Sul (Guerra dos Farrapos), Bahia (Sabinada), São Paulo e Minas Gerais (Revolução Liberal) são alguns dos atuais Estados que já tentaram obter independência e se tornar nações soberanas, separadas do Brasil.
Na época, os motivos eram praticamente os mesmos: insatisfação com a exploração promovida por Portugal durante o Brasil Império. Em pleno século XXI, esperava-se que os debates separatistas estivessem definitivamente superados no Brasil, sobretudo considerando que tamanha dimensão traz consigo uma das maiores riquezas da Nação: sua vasta diversidade cultural e étnica. O Brasil é de todas as cores, de todos os credos e costumes, famoso em todo o mundo pela alegria de seu povo.
É realmente lamentável que algumas pessoas ainda cogitem o separatismo, o que se comprova nas manifestações insensatas do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que só podem ser explicadas sob a ótica do preconceito puro e simples, contra nortistas e nordestinos.
É preciso dizer que aqueles que imaginam um Sul, Sudeste e Centro-Oeste mais relevante, sob qualquer aspecto, que as demais regiões, demonstram uma ignorância absurda a respeito da própria história do Brasil. Ignoram o papel que Norte e Nordeste desempenharam e ainda desempenham para construir, a cada dia, o nosso País.
Como disse o governador Wilson Lima, é muito perigoso jogar uma parte do Brasil contra outra. Diferente do que propôs Zema, o que o Brasil precisa é de união entre suas diversas regiões. É claro que somos desiguais, mas as desigualdades sócio-econômicas estão entre as poucas que precisam de nivelamento. Os brasileiros devem abraçar a própria diversidade e superar, de uma vez por todas, os discursos que os classificam como de primeira ou segunda categoria.