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A Crítica
Opinião

Do combate à pandemia

Por Lupercino Nogueira, desembargador aposentado e articulista especial de A Crítica

Publicado em 26/03/2021 às 12h57 · Atualizado em 24/03/2022 às 22h57
Do combate à pandemia

A gravidade da situação exige urgência para o enfrentamento, tanto que personalidades importantes assinaram a carta intitulada “O país exige respeito; a vida necessita da ciência e do bom governo”. Os signatários pedem colaboração do governo federal caso exista a necessidade de adoção de medidas de restrição à mobilidade por autoridades locais. Querem seja disseminado o uso de máscaras, diminuído os riscos de contaminações e melhoria na proteção social dos mais necessitados.

O Brasil chegou a mais de 300 mil mortes por coronavírus. A Fiocruz apontou que UTIs de 25 Estados e Distrito Federal operam acima da ocupação de 80%. Carta de banqueiros e economistas cobram eficiência do governo no combate à covid. Sem citar nomes diz a mensagem: “O desdenho à ciência, o apelo a tratamentos sem evidência de eficácia, o estímulo à aglomeração e o flerte com o movimento antivacina caracterizaram a liderança política maior do país”. Adverte o documento que o fato não será superado “sem uma atuação competente do governo federal” à luz do melhor conhecimento científico existente.

A declaração diz que não se vence a recessão e o alto desemprego se não se priorizar o combate ao covid-19. Temos um baixo índice de imunização e o país tem parte significativa das mortes diárias do mundo. A carta é um alerta sobre a gravidade da nossa situação e a premência de uma mudança radical de atitude. O texto entregue destaca: “O Brasil é hoje o epicentro mundial da Covid-19, com a maior média móvel de novos casos. Enquanto caminhamos para atingir 3.000 mortes por dia, o quadro se alarma com o esgotamento dos recursos da saúde na grande maioria dos Estados, com insuficientes leitos de UTI, respiradores e profissionais de saúde.” Tal situação leva à morte de pacientes na espera pelo atendimento, contribuindo para maior letalidade da doença.

Há uma escalada mortal da pandemia de covid-19 e para piorar há o colapso do sistema de saúde. Durante a crise já foram nomeados quatro ministros da saúde, enquanto o país conta com milhares de mortes diárias. Com o agravamento da situação, países adotaram o lockdown, pois a causa da crise não são as restrições, é o vírus matador e não cabe esperar a recuperação econômica numa epidemia descontrolada. A imediata vacinação deve ser preferencial, buscando-se doses excedentes em outras nações. Ante o número catastrófico de mortes haverá a perspectiva de piora do quadro se nada for feito, e não há mais tempo a perder.

Para deter a escalada da pandemia são propostas quatro grandes medidas: 1. Acelerar a vacinação; 2. incentivar o uso de máscaras eficientes contra o vírus; 3. Implantar o distanciamento social; 4. Criar mecanismo de combate em âmbito nacional, sem descartar medidas restritivas como o lockdown. Nossas maiores dificuldades estão no atraso da imunização, a ausência de uma coordenação nacional da luta contra a epidemia e a necessidade de estímulo ao uso de máscaras e ao afastamento social.

A situação atual decorre da falta de preferência dada à vacinação. Dizem especialistas que “a recessão foi causada pela pandemia e não será recuperada enquanto não for controlada por uma atuação competente do governo federal, que ignora ou negligencia a evidencia científica nas ações para lidar com a doença”. O presidente poderá se fortalecer, dependendo do avanço da vacinação, a recriação do auxilio emergencial e a retomada da economia. Enfim, todos precisam agir para proteger o direito à vida, e aqueles que podem devem ficar em casa.