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A Crítica
Opinião

Do ensino à distância

A modalidade superou o presencial, agora com 50,7 do total – também se tornou a principal porta de entrada para o ensino superior no país

Publicado em 24/10/2025 às 09h46
Do ensino à distância
Foto: Divugação

Tais cursos superaram a modalidade presencial, tornando-se principal porta de entrada para o nível superior. Mais de 10 milhões de estudantes estão matriculados em cursos de graduação, segundo o INEP. É o maior volume registrado em 45 anos da série. A modalidade superou o presencial, agora com 50,7 do total – também se tornou a principal porta de entrada para o ensino superior no país. Enquanto a EaD avançou 286%, o tradicional encolheu 22%, no mesmo período, segundo o MEC.

Há uma mudança estrutural no sistema e a base está na iniciativa privada, instituições sem fins lucrativos. As vagas oferecidas pela EaD impressionam, o equivalente a 79% da oferta total do ensino superior. Pedagogia lidera o ranking de maior número de estudantes a distância, com 878 mil matrículas, seguida por administração, direito e sistemas de informação.

Atualmente a EaD está presente em 61% do total de cidades brasileiras. Em 2.300 delas, a única opção de graduação é por meio remoto, atendendo a mais de meio milhão de estudantes. Apesar dos avanços, a educação a distância enfrenta o problema da evasão, com taxa de abandono de 24%, mais que o dobro registrado no ensino presencial (9,5%).

Além de alta evasão, os cursos a distância registram menores taxas de conclusão. Apenas 33% dos alunos da cota de 2015 concluíram graduação em EaD, enquanto o percentual entre os presenciais chegou a 40%. Na rede privada, a proporção é de 53 alunos por professor nos cursos a distância – cinco vezes mais que a média do ensino presencial, que é de 10, comprometendo o acompanhamento pedagógico, o suporte individualizado e a retenção dos estudantes.

O aluno EaD trabalha, cuida da casa, tem acesso limitado à internet e falta de apoio acadêmico. A evasão é uma consequência previsível. A tecnologia é aliada, mas não substitui o contato humano. O MEC anunciou mudanças para a modalidade, nenhum curso poderá ser oferecido 100% a distância.

Formações como medicina, enfermagem, psicologia, odontologia e direito deverão ser exclusivamente presenciais. Há uma grande diferença entre cursos a distância e presenciais. Acredita-se que ninguém quer ser atendido por um enfermeiro formado 100% a distância. O EAD é uma vitória no acesso, mas a formação é precária e há alto percentual de abandono. A universalização do ensino superior passa pela valorização da permanência, da aprendizagem e da qualidade.

SEM ESTUDO E EMPREGO – É importante expandir a educação profissionalizante no ensino médio e conectar a escola ao mercado de trabalho. Apesar da ampliação do ensino técnico, a taxa de alunos que cursam a modalidade é de apenas 14%, ante 44% na OCDE. Os “nem-nem” são jovens que não estudam e nem trabalham.

O problema deve ser enfrentado com programas de educação profissionalizante no ensino médio, que podem envolver parcerias entre escolas e empresas para a função do alunado e a contratação de aprendizes. A demora para entrar no mercado de trabalho tende a afetar a empregabilidade futura, já que reduz a chance de obter experiência profissional e habilidades interpessoais.

Considerando apenas o emprego informal ou precarizado, com baixos salários, limitando os potenciais dos indivíduos e o desenvolvimento da economia. Os Estados precisam melhorar a aprendizagem, reduzir a evasão e buscar a expansão da educação profissionalizante, inclusive com parcerias com a inciativa privada. A escola deve estar conectada ao mercado, para que o estudo também resulte em trabalho e renda.

As principais vantagens do ensino técnico profissional são a formação mais rápida e econômica, com um período de duração menor que a graduação, e a inserção acelerada no mercado de trabalho devido ao foco em habilidades práticas e específicas.