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A Crítica
Opinião

É preciso meios inteligentes para impedir

Apuí, no sul do Amazonas, a 445 quilômetros de Manaus, lidera o ranking de desmatamento, com 15 quilômetros quadrados de derrubada de árvores

Publicado em 03/06/2025 às 08h47
É preciso meios inteligentes para impedir
Foto: Agência Brasil

O Estado do Amazonas aparece com dois municípios entre os cinco da Amazônia que mais desmataram no mês de março deste ano. Apuí, no sul do Amazonas, a 445 quilômetros de Manaus, lidera o ranking de desmatamento, com 15 quilômetros quadrados de derrubada de árvores. Maués, a 267 km de Manaus, é o terceiro, com área devastada de 11 quilômetros quadrados, empatado com Colniza (MT). Em segundo lugar está Itaituba (PA), com 13 km², e Nova Maringá (MT), com oito km².

Os dados são do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que alerta para o elevado nível de desmatamento no assentamento Rio Juma, no Amazonas. Foram registrados 14 km², o que corresponde a 1.400 campos de futebol. Esse nível de derrubada de árvores é, de acordo com técnicos do Instituto, sete vezes maior do que o ocorrido, em igual período, no Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Realidade, detentor do segundo lugar dos assentamentos mais desmatados em março, no Amazonas. Nele, o levantamento mostrou que dois km² de floresta deixou de existir.

Especialistas do Imazon confirmam a redução do desmatamento na região e pedem atenção aos indicadores por município que mostram concentração de aumento de derrubada de árvores em locais específicos. Para os técnicos do Imazon, é preciso monitorar e reforçar a fiscalização a fim de frear essa tendência.

Mato Grosso é o estado da Amazônia Legal com maior porcentual de desmatamento, no mês de março, 65 km², e o Amazonas, em segunda posição, com 39 km², enquanto o Pará aparece em terceiro, com 29 km². Esses três estados responderam, em março, por 80% do total devastado em toda a região.

Os números obtidos pelo monitoramento do Imazon mostram a importância estratégica de o governo federal, em parceria com os governos estaduais e municipais, constituírem mecanismos e base de recursos humanos que possa impedir a derrubada da floresta. Ou que o processo de desmatamento feito seja conhecido e autorizado pelos órgãos ambientais.

O que ora acontece revela a dificuldade de os organismos e os instrumentos colocados em práticas oferecerem um protocolo capaz de assegurar a floresta e os serviços ambientais por ela prestados. A pressão pelo desmatamento no Amazonas segue tendência de aumentar e se confirmar sem dificuldades maiores.