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A Crítica
Opinião

Editorial AC: Acordo definitivo pela BR-319?

Apesar do anúncio de Lula sobre um acordo definitivo ainda neste ano, a reconstrução da rodovia segue cercada por impasses ambientais, prazos indefinidos e disputas políticas

Publicado em 10/09/2025 às 08h57
Editorial AC: Acordo definitivo pela BR-319?
Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA

A visita do presidente Lula a Manaus nesta terça-feira teve como destaque o compromisso assumido pelo mandatário a respeito da reconstrução da rodovia BR-319, acrescentando um novo capítulo à “novela” que se arrasta há tantas décadas. Cumprindo agenda na capital amazonense, o presidente disse que um acordo definitivo será firmado, ainda neste ano, entre todos os interessados no projeto, de modo a, finalmente, viabilizar a obra. A questão ambiental é um dos pontos mais sensíveis que vêm travando a reconstrução da rodovia. Segundo o presidente, ambientalistas, governo federal e demais interessados entrarão em consenso para que a obra seja realizada com máxima responsabilidade socioambiental.

Apesar da fala do chefe do Executivo federal, tudo indica que a reconstrução de fato ainda vai demorar. Se o tal consenso for mesmo alcançado ainda neste semestre, será, sem dúvida, um avanço gigantesco. Mas é só a partir daí que um projeto começará a ser elaborado, o que deve exigir discussões com a população envolvida, audiências públicas e muita conversa. Essa fase deve se estender ao longo de todo o próximo ano. Por conta das eleições, é fácil prever uma profusão de candidatos agitando a bandeira da BR-319 e movimentando os debates. As “expedições” de políticos percorrendo todos os 885 quilômetros da via já são uma tradição em ano eleitoral.

O presidente deu mostras de conhecer a relevância da rodovia, não apenas para o Amazonas, mas também para Roraima, que deixaria de ser o Estado mais isolado do País. O Amazonas, por sua vez, veria abrir-se um leque de oportunidades de desenvolvimento. Por exemplo, a indústria amazonense, que viu seu faturamento crescer quase 12% até julho, teria uma opção a mais para o escoamento da produção, potencializando ainda mais os resultados da Zona Franca. Não à toa, a recuperação da estrada é tida como estratégica para as lideranças da indústria local.

Resta-nos aguardar e torcer para que o compromisso do mandatário não seja apenas discurso “para a plateia”. Já passou da hora de desatar o nó que impede a plena recuperação de uma rodovia tão importante para o País e para os amazonenses.