Editorial AC: Professores necessitam de uma política de cuidados
Estresse, violência e adoecimento mental reforçam a urgência de políticas que valorizem e protejam os professores, essenciais para o futuro da educação
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o trabalho docente como um dos mais estressantes. Ao fazê-lo, a partir de parâmetros científicos, expõe a necessidade de uma política global/nacional/local que cuidem dos trabalhadores dessa área, a maioria formada por mulheres e, por consequência histórica, submetidas a jornadas triplas numa escala que na realidade está além da 6X1, ora questionada como resquício da escravização pela qual, países como o Brasil conviveram por longo tempo.
É razoável e recomendável que projetos de lei tratando dessa categoria possam ser propostos na perspectiva de melhorar efetivamente as condições de vida, de atenção à saúde mental. Professores bem cuidados irão oferecer melhores respostas nos locais de trabalho, junto aos estudantes com os quais atuam. Deve ainda ser considerado ambiente cada vez mais inseguro a que professores estão submetidos, não são os únicos, porém os casos de violência física e psicológica nas escolas demonstram a vulnerabilidade a que esses profissionais estão submetidos.
Estudos realizados por pesquisadores tendo como foco professores de Manaus comprovam grau elevado de adoecimentos de várias ordens e de transtornos mentais. O projeto apresentado pelo executivo municipal que altera a aposentadoria dos professores vem na contramão daquilo que deveria ser uma política ampla para os trabalhadores da educação. Não se ignora a pressão da folha de pagamento sobre o orçamento do município, de Manaus ou de qualquer outro ente, mas estabelecer nesse item a tomada de decisão expõe um caminho perigoso, o mais fácil de fazê-lo, mesmo que resulte em concretizar situação de injustiça e indicar a vulnerabilidade que todos os demais trabalhadores passam a viver se prevalecer a lógica.
A paralisação de advertência da categoria e a manifestação na Câmara dos Vereadores são alguns dos instrumentos legais que os professores têm para abrir o diálogo, oferecer outras propostas a fim de enfrentar o déficit ou o futuro déficit orçamentário sem que regras duras e de corte de direitos sejam efetivadas.
Professores são atividade essencial em todos os campos de formação. É preciso valorizar a profissão, fazer com que o sonho de quer ser um professor volte a mente das crianças e dos adolescentes estudantes. A maioria não mais inclui esse desejo e, quanto aos jovens, quando questionados se desejariam ser professores, apressam-se a dizer “não me vejo nessa profissão, é muito desgastante”.