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A Crítica
Opinião

Educação, governo e ministros

Publicado em 27/06/2020 às 13h00 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h14
Educação, governo e ministros

O Ministério da Educação do Brasil tem, em um ano e seis meses, o terceiro ministro, uma escolha entre o técnico e a postura político-militar. O perfil do ministro por hora exibido o credencia para o posto, os complementos desse perfil serão apresentados a partir do tipo de relação que Carlos Alberto Decotelli terá com o presidente da República e com as antagônicas forças que atuam no Palácio do Planalto determinando o rumo das coisas do País.

As duas primeiras gestões do MEC no Governo Bolsonaro foram desastrosas, fizeram recuar avanços nessa área e produziram conflitos profundos que hoje avaliados serviram somente para agravar a situação da educação brasileira e retardar tomada de posição que considere, pelo respeito, esse segmento. Professores, pesquisadores e estudantes foram recorrentemente desqualificados, agredidos. Áreas do conhecimento foram menosprezadas e, igualmente, desqualificadas pelos antecessores de Decotelli que tentaram criar, entre os pares da comunidade educacional e científica, disputas desnecessárias, estéreis.  

A presença ativa, atenta e crítica das representações de professores, pesquisadores, estudantes, administradores das universidades, dos secretários estaduais e municipais da Educação estabeleceu outras pontes de reação ao que esses gestores realizavam. Estavam mais dispostos a agir como cabos eleitorais que como ministros da Educação.  Ignoraram protocolos, prazos e a necessidade de oferecerem propostas que pudessem ser debatidas pelo Legislativo e pelas organizações que representam escolas, universidades, institutos, segmentos sociais diferenciados não contemplados na política educacional do Brasil. Em meio à pandemia do Covid-19, o antecessor do atual ministro preferiu submeter milhões de estudantes a uma situação de desespero ignorando as condições socioeconômicas efetivas de acesso ao sistema digital e do analfabetismo nessa área. Ignorou técnicos de carreira dentro da estrutura ministerial e detentores de expertise que não deveriam ser ignoradas. Quiseram inventar a roda e produziram prejuízos.

Do novo ministro, a sociedade brasileira e a da educação aguardam uma postura de diálogo e de não negociar ainda mais a área educacional em nome de outros interesses políticos e sim colocá-la na ordem do dia com o valor e respeito que merece ter. Um ministério como o da Educação é uma das áreas mais importantes dos governos e quem governa e quem o comanda precisam ter essa referência não para submeter o conjunto dos segmentos nele envolvidos a uma visão de educação e sim para lidar com os conflitos e buscar soluções, algumas delas há muito esperadas, para melhorar os parâmetros educacionais do País, reduzir as assimetrias que denunciam a desigualdade.