Efeitos da ação de desmantelamento
É preocupante a situação dos povos indígenas no Amazonas. Sem desconhecer esforços que estão sendo feitos para ampliar a fiscalização, impedir acessos ameaçadores, e ampliar a assistência médica, o desmantelamento ocorrido na estrutura de atenção aos indígenas nos últimos quatro anos o que agravou problemas que perduravam.
Nesse episódio da pandemia pelo novo vírus, os indígenas ainda estão na última escala de inserção na tomada de decisão para prevenir o avanço da contaminação nas comunidades e assegurar tratamento aos que foram acometidos pelo coronavirus. Tal quadro reproduz, com naturalidade, o modelo de inserção dos indígenas na vida nacional brasileira que é o de negação sistemática aos seus direitos e de segregação.
Até o ano passado, as organizações indígenas se organizaram para realizar, neste abril indígena, o Acampamento Terra Livre, quando levam a Brasília, milhares de indígenas para apresentar as pautas de seus povos ao Executivo, ao Legislativo e ao Judiciário; denunciar o sistema de violência que tem permitido assassinados de indígenas e espancamentos, ameaças de morte de outros; reivindicar a garantia do direito à terra e o respeito governamental às terras indígenas, às culturas indígenas. A pandemia impediu que este ano o ATL se realizasse fisicamente, mas o movimento indígena está em ação no espaço virtual para levar em frente as pautas, as denúncias e pedir apoio da sociedade brasileira à causa indígena.
Na Amazônia, a presente evolução do desmatamento atinge de morte comunidades indígenas. A promoção de projetos e programas que sob o selo do desenvolvimento regional se constituem em nova modalidade de expulsão dos indígenas, é uma conduta profundamente ameaçadora. Desestrutura e desestabiliza as comunidades, é condescendente com a violência de grupos de garimpeiros, de fazendeiros, madeireiros que se somam a todos os segmentos para os quais os povos indígenas são obstáculos e devem deixar de ser índios para serem integrados à sociedade brasileira.
O que está demonstrado é o antagonismo entre as propostas de desenvolvimento da Amazônia e a complexidade da Amazônia que os governantes insistem em ignorar e tentam moldá-la a percepção deles de enxergar a região. A visão economicista é privilegiada e passa a valer sobre todos os outros aspectos. As vidas da Amazônia demonstram que essa saída é errada e tem sido responsável por muitos desastres.