Eleições, abandono e possibilidades
Salários achatados, desemprego ainda em taxa elevada, redução drástica dos rendimentos da maioria das famílias de classe média e pobres, elevação do número de famintos
O ano eleitoral no Brasil amplia as dificuldades na maioria das áreas pelas quais os brasileiros passam e expande a relação de violência. Salários achatados, desemprego ainda em taxa elevada, redução drástica dos rendimentos da maioria das famílias de classe média e pobres, elevação do número de famintos.
Ao mesmo tempo, o País perde espaço e amplia a margem de isolamento no contexto internacional, o que tende a agravar os problemas que impactam a vida dos brasileiros. O contexto eleitoral, no geral, está desconectado da realidade nacional que se traduz nas realidades estaduais e locais. O empobrecimento ganha contorno no município onde os acontecimentos se dão e, nesses lugares, as ações do executivo e do legislativo se dão, na maioria dos relatos divulgados pela mídia, apartadas desse contexto, por vezes, desrespeitosas quando são confrontados os atos, os beneficiados e a condição econômica da maioria da população.
A Amazônia interroga o mundo, o governo central do Brasil, os governos estaduais e municipais e a sociedade nacional. Sob ataque permanente a região perde floresta em larga escala, é espaço de assassinatos de indígenas, de defensores dos povos e do meio ambiente, abriga número crescente de organizações criminosas que ampliam seus negócios a partir das cidades amazônicas e, com isso, as populações estão em situação de vulnerabilidade avançada.
São as organizações criminosas que determinam e controlam grande parte da região enquanto a presença do Estado é diluída e enfraquecida favorecendo a permanência e expansão dos grupos que atuam a margem da legalidade. O nível de abandono oficial alcançado é gritante e representa um sinal para que esse tipo de ocupação de caráter saqueador continue agindo e aprofundando suas redes de atuação.
Os discursos de pré-candidatos, em nível estadual e nacional, não tratam dessa dimensão, ao contrário, o que prevalece são as velhas condutas de ataques e defesas que movimentam os cabos eleitorais nas redes sociais produzindo novas agressões. O nível de abordagem é de superficialidade diante de questões muito sérias que exigem a disposição governamental em inseri-las na pauta, promover debates das propostas e implementá-las.
Ou seja, quando se trata de estabelecer um cenário estadual e nacional das representações nos poderes executivo e legislativo, os indicadores são preocupantes e de repetição do que hoje traduz a violência e o descaso com a região.