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A Crítica
Opinião

Eleitores analfabetos

Publicado em 27/09/2018 às 11h19 · Atualizado em 13/03/2022 às 22h24
Eleitores analfabetos

A existência de 138 mil eleitores analfabetos no Amazonas é um estado de vergonha que se soma a outros dados, como o do analfabeto funcional, dos sem emprego, sem moradia e sem acesso à água potável. O número de eleitores analfabetos acaba de ser divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE/TREs) e mostra que a taxa do Amazonas está acima da média nacional. 

Os dados do cadastro eleitoral são significantes para mostra como gestores públicos cuidam das pessoas da cidade, do Estado e do País. Eleitores analfabetos é mais um dos temas que deixou de ser pautado como parte de ações para superar velhos problemas. O sistema do judiciário em atividades parceiras pode fazer muito para ajudar a mudar essa realidade, o que não pode é considerar que essa não é responsabilidade sua, é sim e deve ser tradada continuamente e não de forma episódica.

O analfabetismo é questão que diz respeito a toda a sociedade, as instituições e as organizações que estão comprometidas com o desenvolvimento sustentável do País e a redução do quadro de desigualdades que caracteriza a nação brasileira. Não é possível aceitar como normal a disparidade socioeconômica que o Brasil vive, onde uns poucos concentram todas as riquezas e a maioria a pobreza, mas também a falta de oportunidades submetida a um filtro muito estreito enquanto os mais ricos dispõem das chances para o estudo nos diferentes níveis e aos bens culturais.

A desigualdade percorre todos os caminhos do perfil de desenvolvimento brasileiro e denuncia o modelo injusto que tem sido usado para tratar das populações e das regiões brasileiras. Entrar na lista de eleitores analfabetos acima da média nacional gera constrangimentos que já deveriam ter sido cessados e o problema superado. Ao contrário, o que se ver agora é o aprofundamento da precarização da vida dos brasileiros, com porcentual mais elevado para aqueles que vivem nas cidades do Nordeste e do Norte. Nessas regiões, o problema é a visão político-administrativa que a maioria dos governos da União teve para tratar dos problemas nelas gerados, a preferência ter sido colocá-las como obstáculos e desqualificar nordestinos e nortistas transferindo a eles dificuldades do Brasil, causada por outros fatores e outras decisões.