Em busca de respostas
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar ações e omissões de autoridades na condução da crise sanitária foi instalada ontem, após alguns adiamentos, sob a presidência do senador Omar Aziz, do Amazonas, que, em seu discurso inicial, ressaltou que não há espaço para motivações relacionadas a vingança, revanchismo ou caça às bruxas.
A CPI deve ter como meta dar a necessária resposta ao povo brasileiro sobre a atuação das autoridades, não apenas para promover responsabilizações, mas também para buscar alternativas de enfrentamento à pandemia que ainda não acabou, e cujo encerramento é impossível prever. O Amazonas terá papel central no desenrolar dos trabalhos, uma vez que o Estado foi o primeiro a enfrentar o colapso na rede pública de saúde, tanto na primeira como na segunda onda da pandemia. A CPI também será a oportunidade para que o governo federal e demais autoridades arroladas se expliquem, apresentem seus argumentos, os motivos que levaram às decisões ora questionadas.
O País precisa de respostas.
Neste momento, diversas cidades estão com a vacinação paralisada por falta de vacinas. Vale lembrar que só ocorre imunização no País porque o Instituto Butantan, por iniciativa do governo de São Paulo, trabalhou no desenvolvimento na coronavac, atualmente responsável por mais de 80% das doses aplicadas no País. Sem a coronavac, o quadro nacional seria muito mais grave. Além da carência de imunizantes, a ausência de uma coordenação nacional eficaz obriga cada governador a adotar protocolos diversos e agir por conta própria na adoção de medidas contra a pandemia.
Sem orientação nacional, pessoas estão morrendo sem vacinas, em decorrência do vírus e também devido à adoção de tratamentos desprovidos de qualquer eficácia comprovada, como a nebulização com hidroxicloroquina. Hoje, o combate à pandemia no Brasil é uma grande bagunça, o que vem custando milhares de vidas. Como chegamos a esse ponto? Não resta dúvida de que houve falhas graves. Existem relatos de que diversos fabricantes ofereceram imunizantes ao Brasil, alguns acordos chegaram a ser encaminhados, mas as negociações não prosseguiram.
O que aconteceu? Isso poderia ter sido evitado? Que alternativas nos restam agora? São alguns dos questionamentos que aguardam por respostas.