Em Manaus, fiscalizar e fiscalizar
A fiscalização sob responsabilidade dos governos estadual e da capital tem, agora, responsabilidade maior e mais difícil com o número crescente de pessoas nas ruas, feiras, no comércio em geral. A volta ao novo normal é marcada em Manaus pela não observância dos procedimentos de proteção individual por parte de parcela expressiva da população. Se antes, com o comércio fechado, a desobediência às orientações médicas chamava atenção, neste momento, o fluxo de pessoas nos espaços públicos, muitos sem usar máscara, era acima da média, desde o dia 1º o respeito às regras vem sendo progressivamente ignorado.
Ao mesmo tempo, a mídia relata o desespero de familiares de pessoas contaminadas que estão em dificuldade para obter atendimento médico adequado e no momento que precisam. Outros falam da dor da perda e de não poder acompanhar o familiar morto. São duas realidades antagônicas que se completam na decisão das famílias e, individualmente, quanto ao procedimento que irão eleger nesse tempo de pandemia.
Cenas mostram, desde a segunda-feira, grupos familiares com crianças de diferentes idades, sem máscara, passeando diante de lojas, numa exposição desnecessária que coloca em risco de contaminação essas pessoas e as outras com as quais irão se relacionar em casa. Os estudos matemáticos feitos que situam Manaus com números triplicados de contaminados, quando se considera a média entre as capitais brasileiras, e que o Estado ainda está em quadro crítico, não geram impacto para respeitar a prevenção por parte de amplos setores.
Por isso, fiscalizar as condutas dos públicos em Manaus é um dos recursos que poderá influenciar para evitar mais contaminação e morte. As autoridades sanitárias e governamentais cientes da dificuldade que a postura social representa precisam, imediatamente, ampliar parcerias que possam ajudar na tarefa de promover atitudes preventivas. Coletivos de artistas, de dançarinos e tantos outros podem ser os braços alongados e criativos da fiscalização e do cuidado que esse momento exige. O desafio é fazer com que a população, em sua maioria, os segmentos profissionais e religiosos possam perceber e compreender que a covid-19 não é uma gripe passageira. Embora os números estejam sendo mostrados todos os dias e o Brasil viva recorde de contaminados e de mortes, é como se essa realidade não importasse.
Foto: Jair Araújo