Em tempo de Covid-19, a festa do reajuste de preço
Entre tantos pedidos de socorro da população o de poder adquirir alimentos é cada vez mais premente. A escassez do dinheiro para a maioria dos brasileiros, o que atinge segmentos da classe média e a intermediária entre essa categoria e a convencionalmente chamada de c, afunila a capacidade de compra de produtos da cesta básica, de limpeza pessoal e do ambiente doméstico.
Na mesma intensidade com que os supermercados se adaptaram ao ‘novo normal’ e apresentam peças publicitárias de que estão cuidando para atender aos clientes, é feito o reajuste semanal de preços dos produtos. A escalada de atualização dos valores desses itens faz recordar os anos de 1980 quando os “fiscais do Sarney” foram mobilizados para tentar conter a fúria de grupos empresariais do ramo.
O isolamento social está sendo utilizado por supermercadistas para tirar o couro do consumidor. Aparentemente não há controle e a etiquetagem voltou a fazer sucessos nas lojas dos supermercados. No caso de Manaus, é necessário que as autoridades do Executivo e do Legislativo se movimentem para restabelecer uma ordem que mesmo em tempo de crise respeite a situação da população.
Como se trata de uma cadeia, os efeitos na ponta são mais prejudiciais. Chefes de famílias que faziam as compras do mês para distribui-las entre com várias pessoas do núcleo familiar em dificuldade, agora já não conseguem manter a ajuda a essas outras pessoas. Retiram do consumo próprio para dividir com aqueles que tiveram aprofundado o problema econômico-social pelo desemprego, o subemprego, a informalidade e adoecimentos. Neste momento, o Brasil possui mais de 12 milhões de pessoas desempregadas e mais de 40 milhões subocupadas.
A questão é, se os que recebem salário não estão aguentando a vertiginosa subida de preço dos produtos alimentícios, médicos, combustíveis, gás de cozinha, a parcela de pessoas dependente da realização de serviços diários para receber algum recurso os informais da economia- está numa situação de mendicância. Não é aceitável que setores como o de supermercado explorem a população a esse nível. Pior ainda é o aparente silêncio das autoridades diante desse cenário, o que se transforma em um sim à especulação promovida pelo comércio varejista e à festa dos reajustes de preço.