Emergência logística no Amazonas
A quem interessa manter uma trafegabilidade prejudicada em trecho tão perto de Manaus?
A estiagem mais severa da história do Amazonas cobra um alto preço dos amazonenses. O desabamento do porto da Terra Preta, em Manacapuru, com o custo de vidas, é uma demonstração atroz da nova realidade que parece estar consolidada.
É tão triste como revoltante o fato de que, após tanto tempo, apenas agora o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) tenha declarado situação de emergência na infraestrutura aquaviária federal no Amazonas. Seria até mesmo cômico, se a situação da estrutura rodoviária do Estado não fosse a atual: há quase dois anos, a trafegabilidade da rodovia BR-319 está prejudicada pela queda de duas pontes, no município de Careiro (a 86 quilômetros de Manaus).
Até agora não houve recuperação total. A quem interessa manter uma trafegabilidade prejudicada em trecho tão perto de Manaus? O que falta para o governo federal, por meio do DNIT, realizar a reconstrução das pontes destruídas há tanto tempo?
A demora na reconstrução das pontes é absolutamente inaceitável e já virou exemplo de falta de compromisso do poder público em apresentações internacionais. É uma vergonha em todos os sentidos. Até quando a população do Amazonas vai tolerar o intolerável?
Agora, temos um novo episódio extremo que pode custar muito prejuízo ao Amazonas, especialmente ao município de Manacapuru.
O desabamento do Porto do DNIT, com perda de vidas humanas, significa um novo atraso imensurável à logística e economia do município. Só Deus sabe quando o porto será reconstruído e posto em plena operação. Enquanto isso, resta ao povo de Manacapuru rezar para que os danos não sejam tão severos e que o porto possa retomar as operações o mais brevemente possível.
Estamos iniciando o segundo turno da disputa eleitoral. A resposta à estiagem e, principalmente, às alterações climáticas, não podem ficar à margem do debate. Nossos próximos prefeitos e vereadores precisam ter uma ideia formada a respeito do problema e ter a vontade de contribuir com o debate sério e efetivo. Se o parlamentar eleito não se mostrar disposto a discutir o problema, ficará escancarada a inabilidade para exercer a função para a qual foi eleito.