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A Crítica
Opinião

Empregos em queda livre

Em março, o Brasil conseguiu criar menos empregos que no ápice da pandemia de covid-19 no ano passado

Publicado em 29/04/2022 às 09h33
Empregos em queda livre
Foto: Reuters

Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) confirmam o que todos os brasileiros desempregados que buscam emprego todos os dias e não encontram já sabem: está mais difícil encontrar emprego com carteira assinada no País. Em março, o Brasil conseguiu criar menos empregos que no ápice da pandemia de covid-19 no ano passado. O resultado foi um balde de água fria em quem esperava uma recuperação vertiginosa. Quando fevereiro teve mais que o dobro dos empregos formais de janeiro, acendeu-se o otimismo e a esperança de que a tendência se mantivesse nos meses seguintes. Infelizmente, outros componentes da crise cobraram seu preço, e isso se refletiu nos empregos.

A inflação atinge a todos, impacta o consumo, inibe investimentos e pressiona os empregos. Os dados do Caged são preocupantes; se o País, com a pandemia em recuo, cria menos vagas que no pior momento da crise sanitária, é hora de ligar o sinal amarelo, estudar detidamente o cenário e desenvolver alternativas para amenizar o desemprego. E não estamos falando de programas assistenciais destinados a captar votos. São necessários programas específicos para absorver pelo menos parte dos impactos que ainda virão. A crise na Europa causada pela guerra na Ucrânia ainda não gerou todos os seus efeitos nesta parte da América. Infelizmente, podemos esperar mais inflação, juros altos e baixa geração de empregos.

A situação do Brasil se agrava exatamente pelo fato de estarmos em ano eleitoral, quando todos os problemas, por mais graves que sejam, ficam sem segundo, terceiro ou quarto plano diante dos projetos de poder. O Amazonas assume uma posição delicada nesse cenário. Lideranças políticas e empresariais tentam se equilibrar entre os interesses da Zona Franca de Manaus e a agenda política. No cabo de guerra pautado pelas eleições, o modelo de desenvolvimento amazonense vem perdendo mais e mais competitividade. Um termômetro de tais efeitos é a notória queda no volume de investimentos avaliados pelo Conselho de Administração da Suframa (CAS) ontem. Que grande grupo empresarial vai querer investir em um modelo industrial constantemente atacado pelo governo do próprio país?

A seguir nessa toada, o Amazonas tem reais motivos para temer pelo futuro. No momento, todos veem apenas a eleição, um erro que pode custar muito caro.