Empresariado, governo e sociedade
Os empresários do Brasil e, em quadro mais localizado, os do Amazonas, são convocados pela realidade do mundo a falar outras palavras, a vencer uma postura de repetição de problemas e se expressaram em sintonia com os sinais de mudança. Alguns setores estão habituados secularmente a exigir sem apresentar contrapartidas que posam superar o patamar de empregos e salários, na maioria, calculados pela base.
É real que a carga tributária do País atua como fardo e o mau uso da verba na gestão pública provoca sentimento de revolta não somente a determinados segmentos empresariais, também na sociedade, aos contribuintes. A despeito da corrupção, o que se constata nesse período de pandemia que afetou todos os setores é a ausência de um posicionamento com o empresariado brasileiro e amazonense oferecendo uma visão que defenda sim seus interesses sem minimizar ou ignorar a condição geral do Brasil.
Repetir a fala sobre os números dos prejuízos tem sido a recorrência do discurso que não se altera diante de todas as grandes dificuldades porque passaram e hoje passa o País. Líderes empresariais que saiam do lugar comum e se insiram em debates nacionais/regionais de forma propositiva, crítica e com elementos que de fato contribuam para a percepção da realidade social, econômica e política do Brasil estão em falta. Prevalecem atuações isoladas com foco no apoio presidencial e nos negócios mais restritos e, embora a Pátria Amada apareça nos adesivos, é o desamor que avança e se espalha em diferentes formas de violência.
No Amazonas, empresários vinculados à Zona Franca de Manaus querem o quê na atualidade? Que propostas apresentam ao novo comando da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e à sociedade amazonense? Onde estão essas propostas e com quais setores da sociedade elas dialogam? Quais propostas oferecem à discussão os setores do comércio, de serviços? Quais pautas apresentam aos governos nos três níveis e ao Legislativo? A acomodação na repetição dos problemas e numa disposição de esperar que o governo faça é doentia e produz um processo de atrofia desses setores, pior ainda quando se tornam braços de esquemas ilegais para obter vantagens. Empresários não são todos corruptos e exploradores. O Brasil e o Amazonas necessitam que os bons líderes empresariais se apresentem, proponham, denunciem e anunciem.