Entre propostas e tensões, a cultura grita
Foram 54 propostas destinadas ao âmbito estadual e 14 ao federal
A 3ª Conferência Estadual de Cultura a ser encerrada nesta terça-feira (23), coloca em pauta temas fundamentais para pensar uma Política Pública de Cultura no Estado do Amazonas a partir de velhos e novos desafios nessa área. Foram 54 propostas destinadas ao âmbito estadual e 14 ao federal, sistematizadas nos encontros municipais que agora se inserem, a partir dos debates, ajustes e votos, naquilo que o Estado irá defender na conferência nacional de cultura.
As conferências, compreendidas como instrumento público de consulta ampliada, escuta e de participação, são mecanismos necessários e deveriam ter ciclo contínuo para, pedagogicamente, oferecer subsídios. Esse material farto e diverso pode e deve contribuir tanto no monitoramento do que foi realizado, como aconteceu a realização, o que ficou de fora e o porquê, quanto na produção e circulação das novas demandas na e da área. É um movimento de resgate da mobilização e da própria expressão da vida.
No Amazonas, as culturas têm muito a contribuir para reafirmação dos direitos dos povos, dos grupos, valorização das artes e das manifestações culturais, da pesquisa, na construção de identidades das cidades no urbano e na floresta, nas águas. E, como saldo dessa concepção, da qualificação progressiva da democracia amazonense que reivindica ampliar e muito as iniciativas culturais.
A cidade de Manaus é um exemplo da carência de política pública cultural de caráter inclusivo, diverso e dinâmico. Pode ser muito mais do que hoje representa desde que o conjunto de forças políticas assim desejem fazer. Inúmeros estudos mostram o quanto as cidades ganham quanto melhor desenvolvem políticas públicas culturais, geram postos de trabalho, renda, fazem circular as noções de respeito, de convivência plural, da empatia e de outra relação com o espaço da cidade. Ou seja, por meio da cultura é possível enfrentar as violências, o individualismo que se realiza na aliança com o egoísmo e repensar o espaço público como bem coletivo diante de uma lógica que se reafirma pela privatização desses bens.
Não é tarefa fácil realizar conferências públicas. Interesses diferentes são postos em cena para a disputa de aprovação por seus defensores, o que é exercício só possível pela vivência democrática e pela determinação de fazer prevalecer a democracia. Que a partir desta conferência o Amazonas possa dar passos concretos para corrigir e ampliar a política pública cultural.