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A Crítica
Opinião

Equilíbrio contra a pandemia

Publicado em 27/03/2020 às 12h45 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h27
Equilíbrio contra a pandemia

O debate sobre o que deve ser prioridade, as pessoas ou a economia não faz sentido. É fundamental resguardar os dois, e é possível, desde que haja união na estratégia adotada para enfrentamento da crise. A “volta à normalidade” defendida pelo presidente da República  é simplesmente impossível no momento em que o País prende a respiração aguardando a evolução no número de casos que serão registrados nos próximos dias. É natural que haja um aumento mais acentuado, e o tamanho desse crescimento deve embasar medidas mitigadoras por parte dos governos.

Independentemente do que ocorra, é necessário que as autoridades entrem em consenso e comecem a atuar de maneira organizada e articulada, o que não se viu até agora. Infelizmente, o País parece sem rumo na condução das ações frente à crise. Governo federal segue por um caminho, governos estaduais e prefeituras, por outro, e disputas com fundo político ganham mais espaço que as ações contra a pandemia. Alguns temas precisam de atenção imediata, como o amparo às pessoas em situação de rua, o socorro aos ambulantes, trabalhadores informais e demais trabalhadores que dependem da circulação de pessoas para conseguir o próprio sustento. Esses já estão sofrendo agora com os efeitos do esvaziamento das ruas – menos na Zona Leste e em outras áreas da periferia, onde a população parece viver um estado de negação.

Sobre o isolamento social, o temor dos lojistas é perfeitamente compreensível, cada dia de portas fechadas representa prejuízo que, mais tarde, poderá impactar nos empregos e na própria viabilidade futura dos negócios.   No entanto, não é hora de arriscar um afrouxamento no isolamento, não diante do possível agravamento do cenário local e nacional. O diálogo e o bom senso, como sempre, devem preceder qualquer decisão, e muito mais agora, em tempos de tamanha dificuldade.

Governos federal, estadual, prefeitos e parlamentares precisam falar a mesma língua e discutir alternativas com o empresariado. O que não ajuda é a radicalização: extinguir o isolamento social e retornar à normalidade como se nada de grave estivesse acontecendo, ou trancar absolutamente tudo. Esses dois caminhos nem chegam a ser alternativas. Em face da maior crise da história recente do mundo, a busca pelo  equilíbrio não pode ser abandonada.