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A Crítica
Opinião

Escalada da conflito na América do Sul

A considerar apenas os comandos constitucionais, o posicionamento do Brasil na atual crise entre Venezuela e Guiana deve ser, novamente, da busca pelo meio-termo e da negociação

Publicado em 08/12/2023 às 10h13
Escalada da conflito na América do Sul

A Constituição de 1988 estabelece os princípios que regem a atuação do Brasil nas relações internacionais. Entre tais princípios, podemos destacar a solução pacífica de conflitos e a autodeterminação dos povos. Também há destaque para a soberania nacional, que subentende o respeito à soberania das demais nações. A considerar apenas os comandos constitucionais, o posicionamento do Brasil na atual crise entre Venezuela e Guiana deve ser, novamente, da busca pelo meio-termo e da negociação. Essa estratégia falhou na tentativa de mediação no atual conflito na Faixa de Gaza, mas será novamente posta em campo para tentar evitar o que pode ser o primeiro conflito armado nesta parte da América em muito tempo.

A América do Sul goza de notável harmonia entre países. A última guerra envolvendo um país sul-americano foi a Guerra das Malvinas (também conhecida como a Guerra Falklands), que ocorreu em 1982 entre Argentina e Reino Unido. Desde então, a América do Sul não tem experimentado guerras entre estados nacionais. É fato que houve conflitos internos ou tensões regionais que não atingiram o nível de uma guerra declarada. Esse cenário pode estar prestes a mudar depois que a Venezuela cresceu o olho sobre as recentes descobertas de grandes reservas de petróleo e gás na região do rio Essequibo, no noroeste da Guiana. O presidente venezuelano Nicolás Maduro, amparado em um plebiscito extremamente contestado, decidiu que vai anexar a região, em clara violação à soberania da Guiana.

Atualmente, a Guiana é um país soberano, reconhecido pela comunidade internacional. Tornou-se independente do Reino Unido em 26 de maio de 1966, com capital na cidade de Georgetown, facilmente acessível para brasileiros através de Roraima. O Brasil já está envolvido até o pescoço na disputa, tanto que tropas e diplomatas já estão estrategicamente posicionados na fronteira entre Venezuela e Guiana. 

Maduro tem exército e arsenal suficiente para aniquilar qualquer resistência da Guiana, mas o pequeno país já tem apoio dos Estados Unidos, que até já realizaram exercícios militares na região em claro recado à Venezuela. Há muito tempo, a América do Sul é uma enorme zona de paz (pelo menos, em termos) e esperamos que continue assim. O enfrentamento bélico é sempre danoso para todos.