Escola não é quartel
Se há exemplos de unidades escolares bem-sucedidas em Manaus, são as escolas militares. É de lá que vêm os vencedores de olimpíadas escolares, campeões dos concursos de redação e primeiros colocados nas seleções das universidades. Não faltam credenciais para as escolas militares de Manaus. Essas unidades de ensino são o sonho de muitos pais que almejam uma formação de excelência para seus filhos. Mas, nas últimas semanas, algo de podre emergiu. Pais e professores levaram à Assembleia Legislativa do Estado um relatório contendo mais de mil páginas relatando em detalhes casos de assédio moral e sexual por parte de gestores e também de alguns professores militares de dez escolas militares da capital.
Os relatos são terríveis. Vão da humilhação de alunos e professores por parte de diretores até extremos de agressões físicas. Quem esteve presente na audiência pública ficou atordoado com o teor dos relatos. Toda a sociedade amazonense almeja por uma educação de alta qualidade. Mas os casos relatados por pais e professores de escolas militares são sinal inequívoco de que há algo de muito errado acontecendo.
Jamais poderemos condenar todas as escolas militares por episódios ocorridos em uma ou outra escola. Mas quando falamos de casos ocorridos em dez unidades escolares, temos que ficar atentos. O que fica claro é que alguns gestores militares podem estar confundindo seus papéis. Escola não é quartel. Nos quartéis, a democracia é colocada fora dos muros. E isso não é uma crítica, é assim que as coisas funcionam. Alguém com autoridade manda e os demais têm que obedecer. Se não for dessa forma, as Forças Armadas simplesmente não funcionam. O sistema militar é esse desde sempre, e tem alcançado ótimos resultados. Um viva às Forças Armadas do Brasil!
Em escolas não pode ser assim. Alunos não são soldados, professores não são subordinados que devem pagar flexões quando o diretor achar que devem. Na audiência pública realizada na última sexta-feira na Assembleia Legislativa, o comando das escolas militares tomou uma atitude claramente equivocada. Quando todos esperavam o anúncio de medidas enérgicas no sentido de apurar as denúncias, o que se viu foi uma tentativa de desqualificar os denunciantes. Algo que simplesmente não contribui para a elucidação do problema, que é gravíssimo. As denúncias devem ser apuradas com rigor e os culpados, punidos de forma exemplar.