Esforço comunitário pela preservação
Monitoramento da população de quelônios mostra que o engajamento dos comunitários está funcionando
Às vésperas da estação seca, que neste ano deve ser bem mais severa que o usual, instituições que trabalham na preservação de quelônios ameaçados de extinção na Amazônia já iniciaram as atividades de capacitação de voluntários que atuarão no monitoramento de praias em unidades de conservação para garantir a reprodução dessas espécies. A iniciativa da Wildlife Conservation Society (WCS) e do Instituto Chico Mendes (ICMBio), em parceria com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), no âmbito do projeto regional Conservando Juntos, vai percorrer pelo menos 20 comunidades ribeirinhas em quatro unidades de conservação.
O tema foi abordado em uma audiência pública realizada ontem na Assembleia Legislativa do Amazonas, juntamente com outro assunto relevante aos ribeirinhos: o manejo comunitário de jacarés. A discussão reuniu especialistas de diversas instituições, como Ibama, Ipaam, Adaf e Ufam, entre outras. Sobre os quelônios, pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) ressaltaram que dos milhares de filhotes que chegam ao rio, apenas algo em torno de 25% chegam à idade reprodutiva, o que enfatiza a necessidade de intensificação dos esforços diante de ameaças diversas. Uma das principais é o comércio ilegal desses animais. O manejo, com a retirada de animais da natureza nos moldes do que se pretende fazer com os jacarés, não dá sinais de viabilidade.
Nesse cenário, resta ampliar os esforços para envolver as comunidades no monitoramento das praias, assegurando que a desova das fêmeas ocorra normalmente, e que o maior número possível de filhotes chegue aos rios. No entanto, um dos pontos debatidos no evento foi o retorno prático para as comunidades, onde sempre há boa vontade e motivação por parte dos moradores, mesmo sem haver retornos financeiros. O monitoramento da população de quelônios mostra que o engajamento dos comunitários está funcionando, há uma valiosa contribuição direta no salvamento dessas espécies.
Mas o poder público também precisa fazer sua parte, estruturando instituições como o Ipaam, na esfera estadual, e o Ibama, na esfera federal, a quem cabe combater o comércio ilegal de quelônios, de modo que, um dia, com tais espécies estejam definitivamente fora do risco de extinção.