Esperança para a BR-319
Está muito claro que o principal entrave à plena trafegabilidade da BR-319 não são as questões ambientais ou burocráticas, mas a simples ausência de interesse político em realizar a obra, por motivos que, talvez um dia, venham a ser explicados. Porém, eis que surge uma esperança. Está na pauta de votação desta terça-feira, na Comissão de Serviços e Infraestrutura do Senado, o Projeto de Lei do Senado (PLS) nº 235, que muda os critérios para aportes no Sistema Nacional de Viação (SNV), e inclui explicitamente a rodovia BR-319 como prioritária para a integração nacional.
O texto também estabelece que “devem ser garantidos os recursos necessários para sua operação, independentemente do período do ano”, ou seja, a trafegabilidade da estrada deve ser permanente. O PLS coloca o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) como responsável direto pela restauração da rodovia no trecho entre o Município de Nhamundá, no Amazonas, e o de Porto Velho, em Rondônia, e estabelece o prazo de dois anos para conclusão dos trabalhos. A proposta não poderia ser mais específica.
Quatro anos após sua propositura, o projeto será finalmente posto em votação amanhã na CI do Senado que conta com dois parlamentares do Amazonas em sua composição. Se aprovado, estará muito perto de ir ao plenário, com boas chances de ser aprovado, seguindo para apreciação da Câmara. Seria uma vitória significativa da bancada federal do Amazonas, que ainda comemora a reprovação do Projeto do Executivo que facilitaria a privatização da Amazonas Energia.
Talvez seja agora que BR-319 deixe de figurar como bandeira de campanha para se converter numa demanda séria das bancadas do Amazonas, Roraima e Rondônia, Estados que se beneficiariam diretamente com a restauração da rodovia. Para Roraima, significaria a integração por estrada com o restando do País; para o Amazonas, mais do que isso, seria um importante fator na competitividade da Zona Franca de Manaus; enquanto Rondônia poderia contar com um caminho mais curto para o Atlântico.
Pode ser a última grande batalha de muitos membros dessas bancadas que serão profundamente renovadas no próximo ano. Dos 11 parlamentares que compõem a bancada amazonense no Congresso Nacional, por exemplo, teremos seis novos deputados federais e um novo senador.