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A Crítica
Opinião

Estudar vai ficar mais caro

Publicado em 29/12/2021 às 12h19 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h08
Estudar vai ficar mais caro

A inflação, que castigou o bolso dos brasileiros ao longo deste ano em itens como alimentos e combustíveis, deve se manifestar de maneira ainda mais intensa no início do próximo ano nos preços dos materiais escolares.

A alta de preços deve atingir todos os itens, perfazendo um aumento médio em torno de 30%, de acordo com projeção da Associação Brasileira de Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (ABFIAE). Em se confirmando essa previsão, o impacto no orçamento doméstico dos consumidores será significativo, justamente no momento em que as famílias se organizam para encarar as demais despesas de início de ano.

A alta nos preços dos materiais escolares será mais um ingrediente no ano difícil que começa na próxima semana. Mesmo que as projeções dos economistas do mercado que aguardam um arrefecimento na escalada inflacionária em 2022 se concretizem, ainda teremos inflação em patamar muito elevado, o que significa que os preços de itens básicos como alimentos podem se estabilizar em níveis próximos dos atuais, o que basta para acentuar o risco alimentar de milhões de famílias que hoje já não têm o suficiente para comer.

Soma-se a isso a queda na renda média da população brasileira, que atingiu no trimestre encerrado em outubro o menor valor já registrado na série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. O país passa por um processo de empobrecimento inédito em nossa história recente. Medidas devem ser tomadas de imediato para evitar maiores consequeências. Nesse cenário de preços altos e renda encolhida, muitos terão que escolher entre comprar comida ou materiais escolares, o que pode até incentivar a evasão escolar.

Políticas públicas voltadas para a distribuição gratuita de materiais como livros e cadernos devem ser estimuladas e combinadas com reforço na merenda escolar, sendo elementos fundamentais para manter os alunos, sobretudo os de baixa renda, nas escolas.

O Ano Novo já vai começar desafiando as finanças. Mais do que nunca, será preciso colocar em prática princípios básicos de educação financeira, como controle de gastos e pesquisa de preços. As famílias precisam se organizar e lançar mão de estratégias para reduzir as despesas com itens escolares, como a realização de compras no atacado e reaproveitamento de materiais.