Expectativas renovadas
Há onze anos, o gasoduto Urucu-Coari-Manaus iniciou as operações, com capacidade para transportar 5,5 milhões de metros cúbicos/dia através da floresta. O gasoduto foi apresentado como o início de uma nova era para o Amazonas. A expectativa era de gás abundante e mais barato, toda a frota de veículos movida a GNV, além do surgimento de um forte polo gás-químico na Zona Franca de Manaus.
Quase doze anos após a festiva inauguração – que teve a presença do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, – quase nada do que era esperado aconteceu. O sonhado polo gás-químico nunca saiu do papel, e as empresas que usam o gás como insumo industrial reclamam do preço do produto; o uso do GNV ainda não está plenamente difundido e a impressão geral é que o gasoduto ainda é subaproveitado.
Agora, mais uma vez as expectativas se renovam. Deputados federais aprovaram hoje o novo março regulatório do gás no Brasil, que abre esse mercado para exploração por parte da iniciativa privada, inclusive estrangeira. Em vez de uma concessão, as empresas terão autorização para operar na cadeia de transporte, comercialização e distribuição do gás. Os discursos em defesa da abertura do mercado são exatamente os mesmos de uma década atrás. Se a revolução virá desta vez, é impossível afirmar, mas o objetivo é dinamizar o mercado.
É inaceitável que o Amazonas, tendo a maior reserva de gás natural em terra firme do País, e contando com distribuição direta na capital, ainda não aproveite plenamente todo o potencial que isso representa. Muito se fala da urgência em diversificar o modelo industrial da ZFM com a inclusão de novos segmentos, principalmente aqueles baseados em riquezas naturais do Amazonas. O processamento do gás na capital por empresas incentivadas pode ser um passo decisivo nessa direção.
Daí a relevância dos debates sobre o novo marco regulatório do gás. Para que haja benefícios concretos ao País, os detalhes da regulação precisam ser definidos tecnicamente, com mínima interferência de fatores políticos. Trata-se de um mercado bilionário. Seja qual for o desenho adotado, é essencial que o Amazonas e seu povo sejam beneficiados.