Falsa sensação de segurança
Os manauaras vivem desde abril uma situação de terror que antes era restrita a produções de cinema. A tragédia da pandemia do novo coronavírus marcará a vida de todos para sempre. Após a fase mais difícil em abril, a reabertura gradual das atividades econômicas, a queda no número de internamentos, de mortes e dos demais indicadores da pandemia, bastam para que muitos manifestem o que os psicólogos chamam de “fadiga do cuidado”, quando as pessoas, cansadas de ficar alertas o tempo todo, acabam afrouxando os cuidados recomendados de higiene e distanciamento social. E isso pode ser uma armadilha.
O arrefecimento da pandemia em Manaus, como mostram os números divulgados diariamente pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), deve ser recebido com alívio e otimismo, mas não pode passar a falsa segurança de que o perigo já passou. O vírus continua presente, com a mesma elevada transmissibilidade, e continua sem uma vacina e sem cura. Então as pessoas devem continuar trancadas em casa? É claro que não, mas também não devem agir como se o coronavírus tivesse desaparecido magicamente.
É fundamental ter cautela, evitar saídas desnecessárias, avaliar bem a necessidade de se expor a determinados ambientes e manter o uso de máscaras, além da higienização. A queda na letalidade do vírus em Manaus revela alguns exageros. Há pessoas promovendo festas e outras aglomerações sem adotar os cuidados necessários. Infelizmente, são comuns atitudes do tipo “se não me afetou até agora, não vai mais afetar”, ignorando as incertezas que ainda pairam sobre a dinâmica dessa doença que é completamente nova. Não é possível afirmar que quem já foi infectado desenvolveu imunidade absoluta.
A experiência de outros países mostra que afrouxamento dos cuidados resulta em aumento de infectados e de mortos. São várias as nações que, após iniciar a reabertura, tiveram que retornar ao confinamento para conter uma nova onda.
Nesta segunda-feira terá início no Amazonas o terceiro ciclo do plano de retomada econômica. As academias estão entre os estabelecimentos que poderão funcionar, desde que sigam uma série de medidas de segurança. O sucesso do plano depende da observância dessas medidas por parte das empresas, mas também da responsabilidade e consciência dos clientes.