Falta a boa interlocução
O governo estadual tem pela frente momentos duros e terá que encontrar, em curto prazo, interlocutores capazes de estabelecer pontes. O que até agora não aconteceu. Fora a pressão de professores, policiais militares também demonstram insatisfação elevada e outras categorias começam a engrossar a fila dos insatisfeitos.
No governo, a dificuldade é identificar quem escute e dialogue em torno de uma proposta que possa substituir o acirramento dos ânimos. A situação tende a se agravar também pela manutenção de indicadores negativos no primeiro trimestre deste ano em nível nacional. O desemprego cresce, o preço dos combustíveis sofre reajustes consecutivos, dos medicamentos e dos alimentos seguem a tendência de alta e os salários permanecem achatados.
A dificuldade de trabalhadores para manter itens de alimentação e transporte é maior. Os adoecimentos e transtornos diante de um quadro de incerteza são mais frequentes e o subemprego tem sido o caminho de muitos. Uns para ajudar a aumentar a renda familiar, outros como uma fonte incerta de entrada de dinheiro.
O efeito eleição municipal e as manobras feitas desde já contaminam ainda mais o ambiente político-governamental já em processo de desgaste. E é com esse cenário que o governo estadual terá de lidar e se articular para ouvir e responder, de forma inteligente e responsável, às demandas que estão sendo apresentadas por servidores públicos e por outros segmentos da sociedade.
A sensação de insegurança e a precariedade de alguns serviços, como os da área da saúde, ajudam a reforçar o sentimento de frustração e de reação. Faltam explicações que sejam imbuídas da necessidade de esclarecer e demonstrar o empenho governamental para resolver os impasses que estão sendo acumulados. Falta, na relação com o Legislativo, estabelecer uma interlocução que funcione e possa desobstruir os canais. E faltam informações que deem conta das medidas efetivas que o governo adotou e ou está adotando para enfrentar os problemas do Amazonas e os reflexos dos problemas do Brasil em nível estadual. A questão econômica e financeira envolve um território que costuma ser feroz, promove desastres, quando não é olhada com devida atenção. Os apertos a que estão sendo submetidas milhares de famílias amazonenses apontam para mais protestos e pedem, do governo, iniciativas mais rápidas.