Falta ação do governo
O recuo em 1,2% da produção industrial brasileira aponta para mais um impasse na gestão do governo federal. Marcada por decisões imediatas e ou por impulso, a política governamental enfrenta a necessidade de ser ancorada em procedimentos que respeitem a importância de elaborar estudos e produzir um plano de ação com capacidade de prospectar os cenários locais, regionais, nacional, continental e internacional.
As queixas e críticas apresentadas ontem logo após a divulgação dos dados do setor industrial pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e Geografia (IBGE) precisam ser ouvidas e respondidas. No geral, os líderes empresariais afirmam que a indústria brasileira está abandonada há alguns anos, pedem atuação mais efetiva do governo não como mantenedor e sim parceiro, moderno, atento ao ambiente interno e externo e com capacidade de dialogar, de agir.
Em um cenário onde aproximadamente 12 milhões de pessoas estão desempregadas e outras 30 milhões vivem da informalidade, o governo deveria ter urgência em estudar o ambiente e produzir respostas que possam ser executadas. A interlocução entre as diferentes áreas da indústria e as esferas governamentais deveriam ser compreendidas como estratégicas em qualquer perfil de governo e ser cultivadas. O aparente despreparo técnico para lidar com essa área faz com que resultados negativos como o ora divulgado se arrastem por mais tempo e ampliem as dificuldades nacionais.
Ainda que deficiente em determinados segmentos, o País possui uma importante base industrial e corpo técnico habilitado para produzir estudos e um plano de ação. Se esses profissionais puderem ser ouvidos e acionados para trabalhar uma proposta, o governo do Brasil terá dado um passo valioso em direção a confecção de um modelo com mobilidade suficiente para agir diante das adversidades. Uma estrutura pensada nesse nível daria à indústria brasileira e também a outros setores confiança e capacidade na adoção de uma conduta de reação às crises, de otimismo e de postura mais segura diante dos momentos de dificuldades.
Até agora, são as frases feitas, a pressa em apontar responsáveis e a falta de gestão adequada que mais têm espaço. Ou seja, o governo, no geral, perde tempo precioso para agir e oferecer mecanismos de incremento da produção industrial e de proteger a indústria naquilo que necessita ser protegida.