Falta de respeito com os consumidores
Nas duas últimas semanas, Manaus passou a viver sob o susto dos apagões, exatamente quando a temperatura alcança níveis elevados e exige ampliar recursos de ventilação e ou refrigeração de ambientes residenciais e de trabalho.
A informação mais recorrente da prestadora de serviço é que houve um “problema técnico”. Assim foi na noite de quinta-feira quando pelo menos 13 bairros de três zonas da cidade ficaram por cerca de duas horas no escuro. A frequência dos problemas técnicos apresenta um problema que precisa ser esclarecido – por que estão ocorrendo? – e pede posicionamento por parte do setor responsável pela geração de energia elétrica sobre as medidas que estão sendo tomadas para resolvê-los.
Uma cidade como as dimensões de Manaus não deveria mais ficar sujeita aos apagões ou quando esses ocorrem deveriam ser tratados como ocorrência grave. São muitos os prejuízos provocados pela interrupção no fornecimento da energia elétrica quer seja em nível pessoal/familiar quer no de negócios que dependem, para funcionar, da regularidade dessa oferta.
Na sexta-feira, micro e pequenos empresários de outros municípios da Região Metropolitana de Manaus reclamavam da falta de energia, da falta de informação e do que classificam de abandono por parte dos poderes públicos às reivindicações que fazem. São quiosques, pequenos restaurantes, cafés, sorveterias que geram postos de trabalho e renda familiar e têm papel fundamental na redução do impacto da crise econômica e social nas famílias de média e baixa renda. Dependentes da rede elétrica, a recorrência dos apagões os leva a perda de clientela, de alimentos e de bebidas, sequer conseguem completar pagamentos eletrônicos porque é precário ou inexiste sinal de internet e a esta realidade soma-se, nesse período do ano, o racionamento da energia.
Ao mesmo tempo que a precariedade do serviço fica escancarada o preço pago para ter acesso a ele é elevado. Contas residenciais estão literalmente tirando o sono de milhares de pessoas que não conseguem pagar o valor da fatura e nem ter explicações sobre a razão do aumento elevado. Se não houver interferência dos gestores públicos no município e no Estado, a questão da energia elétrica tende a se transformar em mais um motivo de revoltas populares, afinal é injusto e inaceitável o que está ocorrendo nesse setor. Repete-se uma conduta de falta de respeito para com os consumidores.