Falta de responsabilidade
A Ponta Negra é a praia mais famosa de Manaus – talvez por ser uma das poucas disponíveis e também a mais acessível à população da capital. Apesar de se localizar em uma das áreas mais nobres da cidade, na praia as classes pouco importam, podendo ser frequentada por todos os que queiram. É um dos cartões portais da cidade e merece por parte dos usuários e também do poder público um tratamento melhor. A última ameaça à segurança dos banhistas é o fato de que pilotos de hidroaviões estão realizando vôos sobre o rio, muito perto da área utilizada pelos banhistas, delimitada por boias. A prática perigosa pode ser testemunhada a qualquer hora do dia, quando pilotos fazem vôos rasantes colocando em risco a segurança de quem frequenta a praia.
A presença dos hidroaviões ocorre principalmente nos finais de semana, exatamente quando a praia tem maior presença de pessoas. Não é preciso esperar uma tragédia para tomar providências. Os praticantes dessa modalidade de exibição precisam ser alertados sobre o risco que estão causando. As autoridades constituídas – órgãos municipais, Corpo de Bombeiros, Aeronáutica – precisam tomar providências imediatas para restabelecer a segurança de quem busca momentos de lazer na Ponta Negra.
Segurança não é, há tempos, uma palavra que possa ser atribuída com ênfase ao balneário. Basta lembrar o índice de afogamentos. O último foi registrado na segunda-feira, provavelmente por imprudência da vítima. À falta de cuidados por parte dos banhistas não se pode acrescentar a falta de responsabilidade de pilotos em hidroaviões, assim como não se admite o tráfego de jet skis nas proximidades da área destinada aos frequentadores, uma regra frequentemente não observada nos balneários de Manaus.
É lamentável que seja preciso advertir pilotos sobre os riscos de operar seus veículos tão perto das pessoas na praia. O bom e velho de senso de responsabilidade deveria bastar. Mas, infelizmente, não é o que se vê. De qualquer forma, o momento é de agir, de coibir as práticas perigosas enquanto não houve incidentes. É preciso quebrar a velha rotina de agir somente após acontecimentos dramáticos, como ocorre costumeiramente.
Este veículo, por meio de material jornalístico, cumpre a tarefa de alertar as autoridades e a sociedade, aguardando que medidas sejam, de fato, tomadas e a segurança seja logo restabelecida na praia da Ponta Negra.