Febre maculosa: boa informação é sempre necessária
As autoridades já deveriam estar tranquilizando a população, disseminando informações como o fato de que o consumo de carne não causa a doença
As autoridades competentes do Governo Federal estão demorando em informar que as mortes ocorridas em decorrência da febre maculosa não caracterizam uma nova crise sanitária no País. Tal hesitação não deixa de ter certa gravidade, considerando, sobretudo, o fato de que o mundo acaba de passar pela maior pandemia dos últimos 100 anos.
Em manifestações diversas, porém, ainda tímidas, vários especialistas têm se manifestado no sentido de que o atual surto de febre maculosa ocorre com certa frequência e se concentra, sempre, nas mesmas áreas. As autoridades já deveriam estar tranquilizando a população, disseminando informações como o fato de que o consumo de carne não causa a doença, de que os animais infestados pelo carrapato-estrela não necessariamente estão doentes, e que não é qualquer carrapato que transmite a doença.
Há, infelizmente, muita desinformação sobre o assunto, causando um estado de preocupação exacerbada. Sem minimizar os óbitos que ocorreram no Sudeste, é preciso esclarecer que se trata de casos que não devem, de modo algum, causar exagerado alarde na população do País inteiro. É preciso esclarecer, desde logo, que o vetor da febre maculosa, o carrapato-estrela, não sobrevive ou ocorre em qualquer ambiente.
Diversos estudos indicam que o aracnídeo oferece mais perigo em ambientes que sofreram forte remoção da cobertura vegetal original. O Estado de Rondônia, por exemplo, em anos anteriores, já registrou ocorrências da doença. Sabe-se que o Estado vem passando, há décadas, por um forte processo de desmatamento.
Outro aspecto que precisa ser esclarecido é que a doença é um caso de saúde pública, uma vez que a zoonose provoca a morte de pessoas.
O índice de letalidade chega a 40% entre humanos. No caso dos animais, porém, a ameaça não é tão letal. Tanto que o Ministério da Saúde nem tem um programa específico para abordar a doença, como ocorre com a febre aftosa ou a brucelose, por exemplo. No caso da febre maculosa, a principal preocupação são as pessoas. As autoridades competentes precisam, urgentemente, prestar, de maneira adequada as informações que a população realmente necessita.