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A Crítica
Opinião

Feiras e mercados, espaços desperdiçados

Publicado em 02/03/2020 às 12h00 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h58
Feiras e mercados, espaços desperdiçados

Espaços bastante procurados por turistas, as feiras e mercados públicos de Manaus estão esquecidos pela administração municipal. A sensação citada por feirantes é a de que a secretaria responsável por esse segmento o abandonou, no máximo atua para responder pequenas demandas e ignora a exigência de um plano de recuperação dessas unidades e de manutenção permanente.

Feiras estão espalhadas na maioria dos bairros de Manaus, carregam a tradição e são pontos de encontros importantes de diferentes públicos, dos mais velhos aos mais jovens. Ambientes iluminados de forma inadequada, com parte da construção deteriorada, sujos, lixeiras a céu aberto instaladas próximas a locais onde são comercializados alimentos inclusive o tradicional café da manhã regional, e águas usadas espalhadas em poças ou porque a canalização quebrou há muito tempo.

Nessa condição, é comum o excesso de moscas, mosquitos, urubus, animais maltratados e doentes. Uma rápida visita a esses locais escancara o tempo de ausência da ação do gestor público e da inexistência efetiva de uma política destinada a revitalizar as feiras e os mercados e ampliar o potencial desses núcleos de negócios relevantes para a economia popular. Apesar do abandono a longo prazo, feiras e mercados contam com uma clientela fiel e poderiam ter muito mais usuários se fossem recuperados.

Um outro resultado positivo seria o de promover direta e indiretamente o incremento da renda das famílias e até ampliar postos de trabalho. Para uma cidade com a concentração populacional de Manaus, elevada taxa de desemprego e de ocupação informal, as feiras e os mercados teriam condições de ser mais um instrumento de política pública de promoção do trabalho, do turismo e da cultura local além de estimular a dimensão comunitária com enfoque nas histórias dos bairros onde esses espaços estão instalados. 

É lamentável que a potencialidade das feiras e dos mercados seja desprezada e desperdiçada e o que deveria ser um bom lugar de encontro, reencontro, aprendizados venha se tornando exatamente o contrário. Os trabalhadores desses locais são acima de tudo persistentes, enfrentam o descaso e a insegurança que se tornaram cada mais presentes exatamente porque a ausência da autoridade pública é recorrente. Onde está a política destinada a desenvolver essas unidades? Esse assunto não pode ser tratado apenas em período eleitoral para, depois, ser esquecido.