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A Crítica
Opinião

Festa dos Bumbás impulsiona uma outra Parintins

Posicionamento pela ampliação da melhoria de infraestrutura na cidade é um dos aspectos positivos que o festival motiva

Publicado em 28/06/2025 às 10h17
Festa dos Bumbás impulsiona uma outra Parintins

O Festival Folclórico de Parintins encerra a temporada 2025 neste domingo refirmando-se como um grande espetáculo aberto e diferente. Na segunda-feira, será conhecido o bumbá vencedor e a partir desse momento uma outra fase se inicia, pensar o boi de 2026, a alegria dos vencedores e a tristeza dos que perderam, a profusão de memes, e a renovação da certeza de que no próximo ano será diferente.

Há uma sensação para além do vermelho e do azul e está na junção da força de Garantido e Caprichoso como referência de uma das criações da arte e da cultura mais potentes no Norte brasileiro. A 58ª edição do festival apresentou avanços no uso de tecnologias e mergulho mais profundo nas culturas amazônicas demonstradas nas toadas, nas danças, nos rituais.

A festa dos bumbás constitui-se em um território multicultural, envolvente e revelador da necessidade de cada vez mais conhecer as histórias dos povos indígenas, dos negros, dos quilombolas e das comunidades tradicionais desta região. Sob o dois pra lá e dois pra cá, os visitantes enamoram-se e se descobrem torcedores, defensores, bailarinos das culturas que acessam a partir do festival de Parintins.

Ao mesmo tempo setores sociais do município e de visitantes fazem reivindicações para que a beleza do espetáculo também se faça presente na vida cotidiana dos mais de cem mil moradores da ilha. É uma cobrança que cresce a cada ano e ganha especificidades nas diferentes áreas a partir da saúde e da educação públicas.

O posicionamento pela ampliação da melhoria de infraestrutura na cidade é um dos aspectos positivos que o festival motiva, não um problema. Pode ser compreendido como mecanismo para que os três poderes, em atuação conjunta e na firmeza de uma ação política diferenciada, dotar Parintins de níveis mais elevados quando comparada a qualidade de vida dos moradores.

Nessa direção, a ilha da alegria poderá vir a se tornar, em nível estadual, nacional e internacional, um lugar diferente pelo bom Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) que ostenta. É possível fazer isso? Sim, desde que haja determinação na construção desse projeto, o que significa romper com um modelo apequenado da política e da gestão pública. Os bumbás são impulsionadores estratégicos nessa direção.