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A Crítica
Opinião

Festa embotada

Publicado em 25/07/2018 às 00h13 · Atualizado em 13/03/2022 às 23h03
Festa embotada

Até o dia 5 de agosto, os partidos políticos deverão realizar as convenções partidárias e escolher os candidatos que irão disputar as eleições deste ano. Por mais dez dias, até 15 de agosto, terão que fazer o registro na Justiça Eleitoral fechando uma etapa da composição do quadro de alianças e disputadas no processo eleitoral que poderá ser alterado por várias razões inclusive as impugnações. As convenções que marcarão principalmente a última semana de julho costumam ser organizadas como festas públicas onde a democracia seria a principal homenageada por demonstrar a liberdade de escolha dos nomes em busca de mandatos.

Os modelos político-partidários adotaram o dinheiro como principal marca eleitoral e, nesse sentido, a democracia passa a ser a do mercado combinando poder econômico e político. À democracia mais qualificada o espaço fica menor e a festa acaba por ser aquela feita pelos que ostentam mais dinheiro e controlam mais grupos. A política é minimizada como atividade coletiva e se realiza em um tipo de negociação caracterizada pela compra em larga escala.

Ainda assim, em todos os anos eleitorais, a Justiça se organiza para valer as leis, organizações da sociedade civil e setores de instituições promovem campanhas, constituem comitês que se configuram em espaços de defesa e propagação da necessidade do voto ético e do combate à corrupção eleitoral. Essas forças vivas têm o mérito de insistir na mudança de conduta de candidatos, partidos e eleitores e no fomento da cidadania ativa. É um tipo de trabalho importante e ganha mais relevância quando consegue sensibilizar para a tomada de decisão pelo voto em eventos como o deste ano quando serão eleitos candidatos a presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, senador e suplentes, deputado federal, deputado estadual e distrital.

Em tempo de crise ética na política e de antagonismos que produziram o caos no País, as eleições experimentam duas situações, a da repetição de um discurso como farsa por parte de pré-candidatos e sinais de exaustão por parte dos eleitores. No meio dessa história aparece como necessidade de manutenção democrática a realização das eleições de acordo com calendário eleitoral estabelecido e o funcionamento dos três poderes. A aspiração é que possam ser interdependentes e atuem dentro da normalidade.